Presidente do Equador, Rafael Correa disse nesta quarta-feira que avalia se irá ou não pagar o empréstimo bilateral de US$ 200 milhões do Brasil, vinculado à construtora Odebrecht, companhia expulsa do país pelo mandatário no dia anterior. Correa, que tem preocupado investidores com ameaças de não pagar parte da dívida externa, afirmou que revisou na noite de terça-feira diversas partes das débitos estrangeiros do país.
Na terça-feira, o Equador expulsou a construtora Odebrecht, mandando tropas do Exército para confiscar projetos no país no valor de US$ 800 milhões. A decisão de Correa aconteceu após a tentativa de acordo com a companhia para que o governo daquele país seja compensado por danos em uma central hidrelétrica, a San Francisco, inaugurada no ano passado. Entre as obras embargadas há ainda uma rodovia e um aeroporto.
– Já chega de abusos, não vamos aceitar que qualquer destas empresas internacionais venham enganar este país. Estou 'por aqui' com a Odebrecht, quanto mais cavo mais lama encontro (...) Estes senhores (da construtora) foram corruptos e corruptores, compraram funcionários do Estado. O que está sendo feito é um assalto ao país – afirmou Rafael Correa.
Segundo o decreto presidencial, a Odebrecht "não cumpriu, eficientemente, seus trabalhos" no Equador e "se negou, de forma irresponsável, a indenizar (o Estado) pelos prejuízos".
No Brasil, o vice-presidente da companhia, Paulo Oliveira, afirmou que espera obter uma "solução negociada" para resolver o problema, destacando "grande preocupação" com a situação dos funcionários da Odebrecht no Equador. Segundo ele, a empresa mantém "seu compromisso" de reparar e deixar funcionando a hidrelétrica "o mais rapidamente possível". À BBC Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse acreditar que o embargo do governo do Equador e a proibição de que funcionários da companhia saiam do país será "discutida e resolvida" nos próximos dias.
Amorim afirmou ainda que ter sido informado pelo embaixador brasileiro em Quito que dois diretores da Odebrecht já deixaram o Equador e outros dois estão refugiados na embaixada brasileira.
– Não há uma ameaça física a eles e não há um mandado de prisão – explicou.
San Francisco, a segunda hidrelétrica equatoriana, cuja paralisação ameaça o abastecimento energético do país, parou de funcionar um ano depois de ser entregue, por problemas nas turbinas.