Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Corpo de Mandela será enterrado no vilarejo de Qunu, neste domingo

Sábado, 14 de Dezembro de 2013 às 08:40, por: CdB
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Um pequeno cemitério, no coração da África do Sul, receberá os restos mortais de Nelson Mandela
O corpo de Nelson Mandela chegou na tarde deste sábado ao vilarejo de Qunu, onde será enterrado neste domingo. O avião com o caixão decolou de Pretória às 8h (horário de Brasília) e pousou no Aeroporto de Mthatha, pouco antes das 12h. De lá, seguiu em cortejo militar com carros e motos por mais de 30 quilômetros até Qunu. Milhares de pessoas ocupavam as margens da rodovia, aguardando a passagem do caixão com o corpo do Prêmio Nobel da Paz de 1993, que, pouco tempo depois, chegou à fazenda da família Mandela. A última cerimônia do funeral de Mandela está marcada para começar às 12h de amanhã(horário de Brasília), com a presença de parentes, amigos e autoridades. Segundo o cerimonial, uma marquise foi montada na propriedade da família para acomodar cerca de 4.500 pessoas. Duas horas depois, apenas a família e alguns convidados caminharão com o caixão até o local onde o corpo será enterrado. Ritos fúnebres Mandela será enterrado segundo os rituais tradicionais da etnia xhosa, incluindo o sacrifício de um boi, revelaram os líderes de seu clã. Após o velório formal em Pretória, a tradição vai dominar a cerimônia do enterro, que será acompanhado por dirigentes e ex-dirigentes de todo o mundo e convidados especiais. O funeral do Prêmio Nobel da Paz e primeiro presidente negro da África do Sul depois do fim do apartheid será supervisionado pelos anciões do clã e acontecerá na fazenda da família Mandela. O sacrifício do animal - recorrente em momentos importantes da vida - será parte crucial do evento. – Um funeral é uma cerimônia complicada que envolve se comunicar com os ancestrais e permitir que o espírito da pessoa que se foi descanse. Derramar o sangue do animal é parte importante do processo – declarou o chefe Jonginyaniso Mtirara, do clã Thembu, ao qual Mandela pertence. Durante a cerimônia, Mandela será tratado como Dalibhunga, o nome que lhe deram aos 16 anos no rito de iniciação à vida adulta. Seu corpo será recebido ao grito de "Aaah! Dalibhunga!", que se repetirá durante a cerimônia. Os xhosa utilizarão o traje típico dos funerais, branco e azul, adornado com colares. Os oradores xhosa estarão divididos em três grupos, um deles o Thembu, ao qual Mandela pertencia. Embora ele nunca tenha demonstrado sua fé, a mãe de Mandela incutiu nele sua confissão metodista. Seu casamento em 1998 com sua terceira esposa, Graça Machel, foi realizada por um sacerdote metodista, Mvune Dandala, com bênçãos de reverendos de outras confissões, incluindo um rabino. A comissão de assuntos tradicionais regional pediu que o governo não interfira na organização da cerimônia. – Se o governo intervier, os anciões não o aceitarão e não será bem-vindo, e isso terá um efeito pernicioso nos membros da família, porque o espírito voltará para persegui-los – explicou o chefe da comissão, Nokuzola Mdenge. O panteão familiar foi protegido dos curiosos com um muro. É o local onde foram enterrados novamente seus três filhos, depois que uma parte da família os transferiu a Mvezo, o povoado no qual Mandela nasceu, após uma disputa. Em muitas áreas rurais da África do Sul é normal enterrar os parentes nas terras da família. Durante os três dias em que ficou exposto no Union Buildings, o palácio do governo da África do Sul, em Pretória, cerca de 100 mil pessoas passaram pelo local. As estimativas iniciais do governo eram de um número menor de visitantes, mas foram atualizadas depois de constatarem que, somente no último dia de visitação, mais de 50 mil pessoas foram prestar as últimas homenagens ao símbolo da luta contra o apartheid.
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