O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro morreu em casa, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro
O escritor João Ubaldo Ribeiro, que morreu na madrugada desta sexta-feira, aos 73 anos, vítima de uma embolia pulmonar, em sua casa no Leblon, Zona Sul da cidade, teve o corpo velado ao longo do dia na Academia Brasileira de Letras (ABL), para a qual foi eleito em 1994 para ocupar a Cadeira 34. Segundo a tradição, membros da Academia Brasileira de Letras são velados na sede da ABL e enterrados no mausoléu da entidade, no cemitério São João Batista, em Botafogo.
Jornalista e cientista político, Ubaldo Ribeiro foi autor de mais de 20 livros, publicados em 16 países. Entre suas principais obras estão Sargento Getúlio (1971), Viva o Povo Brasileiro (1984) e O Sorriso do Lagarto (1989). João Ubaldo Ribeiro recebeu, em 2008, o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Portugal e do Brasil, para autores que contribuem para o enriquecimento da língua portuguesa. Ribeiro também venceu, por duas vezes, o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Em 1972, conquistou o Jabuti de Melhor Autor, por Sargento Getúlio. Em 1984, venceu na categoria Melhor Romance, com Viva o Povo Brasileiro.
Regionalismos
Ubaldo nasceu na ilha de Itaparica (BA) em 23 de janeiro de 1941. Formou-se em direito na Universidade da Bahia, mas jamais exerceu a profissão. Escreveu seu primeiro livro, Setembro Não Tem Sentido, aos 21 anos. O segundo foi Sargento Getúlio (1971), uma de suas obras mais célebres, que lhe deu seu primeiro prêmio Jabuti, em 1972 – o segundo viria por Viva o Povo Brasileiro. Os regionalismos presentes na obra Sargento Getúlio, expressões dos costumes e cultura do Sergipe, dificultaram a tradução da obra para inglês, trabalho que acabou sendo feito pelo próprio autor.
Jornalista, Ubaldo trabalhou como redator no Jornal da Bahia e na Tribuna da Bahia, além de colaborar em periódicos no Brasil e no exterior, entre eles o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, o alemão Frankfurter Rundschau e o semanário inglês The Times Literary Supplement. Ubaldo Ribeiro morou em Berlim entre 1990 e 1991, a convite do Instituto Alemão de Intercâmbio (DAAD - Deutscher Akademischer Austauschdienst). No ano passado, durante a na Feira do Livro de Frankfurt, da qual participou, disse sentir "um vínculo cultural com a Alemanha".
'Homem de imaginação'
Nesta manhã, amigos lamentaram a morte repentina do intelectual baiano e torcedor vascaíno. A escritora da Academia Brasileira de Letras Nélida Piñon disse que recebeu uma mensagem sobre a morte do amigo por volta das 7h.
– João Ubaldo sem dúvida é um cronista da cidade, do país, com sua ironia, sua independência. É capaz de criticar o poder brasileiro sem o temor de agradar ou desagradar, mas eu gostaria de enfatizar o escritor, o criador, o homem de uma imaginação efervescente que passou sua vida fundamentalmente a fazer obras de criação. Ele já faz parte do panteão brasileiro – disse a jornalistas.
A data do sepultamento ainda não foi definida pela família, uma vez que uma das filhas do escritor está vindo da Alemanha para o Rio. Ele era casado com Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, com quem teve dois filhos, Bento e Francisca. Tinha outras duas filhas, Emília e Manuela, de um casamento anterior.
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