O corpo do general brasileiro que comandava a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, encontrado em um quarto de hotel naquele país, será trasladado para o Brasil nesta segunda-feira. Uma autópsia deverá apurar as reais causas da morte. Ainda há informações conflitantes sobre as circunstâncias o incidente. Segundo versão de oficiais da ONU, o general Urano Teixeira da Matta Bacellar teria se suicidado no hotel Montana, em Porto Príncipe. Um assessor de informações da força brasileira no Haiti afirmou, contudo, que a morte foi causada por um "acidente com arma de fogo". Já uma nota oficial do Exército disse que ele está "acompanhando o trabalho de investigação policial" sobre o caso.
Um representante do Centro de Comunicação Social do Exército declarou que "só depois das apurações policiais é que poderemos dizer com certeza o que aconteceu e...tomar as providências sobre o traslado do corpo".
Bacellar, 58, substituiu em agosto passado o general Augusto Heleno Pereira no comando da força da ONU no Haiti, que conta com 9 mil militares. Uma nota da secretaria de imprensa da Presidência da República afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou "profundo pesar" pela morte de Bacellar e que orientou o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a expressar ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, a expectativa do governo brasileiro de que a ONU "conduza imediata e ampla investigação" sobre a morte do brasileiro.
Ainda segundo o comunicado, o presidente determinou que uma equipe seja enviada imediatamente ao Haiti e reafirmou a "determinação do governo brasileiro de continuar apoiando o povo haitiano na construção da paz e normalização política" do país. Um porta-voz do secretário-geral da ONU afirmou que Annan está "chocado e triste" com a morte de Bacellar e que uma investigação está em andamento.
Resgate do corpo
Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) deve trazer para o Brasil neste domingo o corpo de Bacellar, segundo a Agência Brasil. O avião partirá no mesmo dia para o Haiti com representantes do governo que acompanharão as investigações sobre a morte do general. O chefe do Departamento de América do Norte e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Gonçalo Mello Mourão, embarcou neste sábado para o país. É o segundo brasileiro morto fora do país em atividades das Nações Unidas em cerca de dois anos e meio. O ataque de um caminhão-bomba no dia 19 de agosto de 2003 a um hotel que sediava uma missão da ONU no Iraque feriu 150 pessoas e matou 22, entre elas o chefe da missão, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
País em conflito
De acordo com testemunhas, o general estava vestido com shorts e uma camiseta branca quando foi localizado e sua arma foi encontrada perto de seu corpo no hotel onde morava.
- É devastador ver uma general tão bom e honrado morto em circustâncias assim - disse o embaixador brasileiro no Haiti, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, quando deixava o hotel.
Natural de Bagé (RS), Bacellar ocupou até recentemente o posto de subchefe do Estado-Maior do Exército, em Brasília. O nome dele para o cargo no Haiti foi indicado pelo Comando do Exército brasileiro. O Brasil foi escolhido para chefiar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) e mantém um efetivo no país desde maio de 2004. Em fevereiro de 2004, o então presidente haitiano, Jean-Bertrand Aristide, fugiu do país em meio a uma revolta popular e pressões dos EUA e da França para que renunciasse.
Depois disso, o país entrou em um período de violência maior e ainda não conseguiu realizar eleições para um novo governo. As autoridades interinas do Haiti culparam a missão da ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA) pelos diversos atrasos no pleito, originalmente marcado para novembro, acusação que ambos os órgãos rejeitam. A nova data para as eleiçõ