O corpo do ex-deputado estadual Ary Brum, morto nesta terça-feira, está sendo velado no Saguão Getúlio Vargas do Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Brum, que ocupou uma vaga na Alerj entre 1995 e 1999, foi morto a tiros em São Cristóvão, na Zona Norte.
Durante o período de 97 a 99, única legislatura da qual participou, foi presidente das comissões de Transportes, Política Urbana e Habitação, em 97, e de Obras Públicas, em 98, além de ter presidido a CPI para apurar denúncias de sonegação e evasão de receitas dos impostos estaduais, notadamente o ICMS, em 98.
Dentre as condecorações que recebeu estão o Título de Cidadão Cachoeirense, conferido pela Câmara de Vereadores de Cachoeiras de Macacu, e o Certificado Amigo da Polícia, da Associação dos Delegados de Polícia.
O ex-deputado estava exercendo função de confiança na Secretaria de Governo do Estado do Rio de Janeiro.
A polícia do Rio ainda tenta desvendar o mistério que envolve a execução do ex-deputado estadual Ary Ribeiro Brum, de 61 anos. Testemunhas contaram que quatro bandidos num Honda Fit preto emparelharam com o Santana LOA 0488 que Ary dirigia e atiraram contra ele na pista de acesso à Linha Vermelha.
O veículo, que pertence à Assembléia Legislativa do Estado (Alerj), e cedido ao Poder Executivo, se chocou contra a mureta de proteção. O atirador estava no banco traseiro do Honda. Nove disparos atingiram o vidro do lado do motorista, na altura da cabeça. Peritos contabilizaram 34 perfurações no carro, todas nos vidros.
Nenhuma cápsula foi encontrada no local, o que, segundo a polícia, reforça a tese de execução.
– Foi um crime praticado por profissionais, assassinos que conhecem profundamente o manuseio de um fuzil e sabem como fazer uma execução sem deixar pistas, comentou o delegado Márcio Caldas, titular da 17ª DP (São Cristóvão), que pedirá a quebra do sigilo telefônico do ex-deputado. A Delegacia de Homicídios vai ajudar nas investigações.
Dentro do carro, foram encontrados R$ 750, documentos e um celular. Um amigo e o irmão de Ary, Altacyr Ribeiro Brum, prestaram depoimento.
– Meu irmão nunca teve inimigos. Era amigo de todo mundo e nunca recebeu ameaças. Não vejo explicação para ter sido assassinado, disse.
Como o veículo ficou colado à mureta de proteção da pista, a perícia não pôde ser realizada no local do crime e o carro foi levado para a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) com o corpo do ex-deputado dentro.
Avisados por um amigo da família que reconheceu Ary no local, dois dos quatro filhos dele foram até a especializada fazer o reconhecimento oficial do pai.
O político vinha recebendo ameaças e costumava andar com seguranças. O delegado disse que investiga possível briga de Ary pela posse de um terreno em Cachoeiras de Macacu, Região Serrana. Parentes e membros do governo serão chamados a depor.
Amigo do ex-contraventor Waldemir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004, ele também era próximo de Rogério Mesquita — preso sob suspeita de matar o ex-presidente da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro Guaraci Paes, em fevereiro. Mesquita e Ary seriam sócios de empreendimentos em Macacu.
O ex-deputado, que exerceu seis mandatos, visitou o amigo na carceragem da Delegacia Anti-Seqüestro, dia 11.
Nem o secretário de Governo, Wilson Carlos de Carvalho, nem o governador Sérgio Cabral comentaram o crime. O velório de Ary ocorre na Alerj.
A morte do ex-deputado causou comoção no distrito de Papucaia, em Macacu, onde morava e administrava a maior festa agropecuária da região, a Expo Papucaia. Segundo amigos, Ary foi um dos responsáveis pela instalação da fábrica de uma cervejaria na cidade, para quem teria conseguido isenção de impostos por 25 anos.
Corpo de ex-deputado é velado na ALERJ
Quarta, 19 de Dezembro de 2007 às 05:48, por: CdB