Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Corpo de ex-deputado é velado na ALERJ

Quarta, 19 de Dezembro de 2007 às 05:48, por: CdB

O corpo do ex-deputado estadual Ary Brum, morto nesta terça-feira, está sendo  velado  no Saguão Getúlio Vargas do Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Brum, que ocupou uma vaga na Alerj entre 1995 e 1999, foi morto a tiros em São Cristóvão, na Zona Norte.

Durante o período de 97 a 99, única legislatura da qual participou, foi presidente das comissões de Transportes, Política Urbana e Habitação, em 97, e de Obras Públicas, em 98, além de ter presidido a CPI para apurar denúncias de sonegação e evasão de receitas dos impostos estaduais, notadamente o ICMS, em 98.

Dentre as condecorações que recebeu estão o Título de Cidadão Cachoeirense, conferido pela Câmara de Vereadores de Cachoeiras de Macacu, e o Certificado Amigo da Polícia, da Associação dos Delegados de Polícia.

O ex-deputado estava exercendo função de confiança na Secretaria de Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A polícia do Rio ainda tenta desvendar o mistério que envolve a execução do ex-deputado estadual Ary Ribeiro Brum, de 61 anos. Testemunhas contaram que quatro bandidos num Honda Fit preto emparelharam com o Santana LOA 0488 que Ary dirigia e atiraram contra ele na pista de acesso à Linha Vermelha.

O veículo, que pertence à Assembléia Legislativa do Estado (Alerj), e cedido ao Poder Executivo, se chocou contra a mureta de proteção. O atirador estava no banco traseiro do Honda. Nove disparos atingiram o vidro do lado do motorista, na altura da cabeça. Peritos contabilizaram 34 perfurações no carro, todas nos vidros.

Nenhuma cápsula foi encontrada no local, o que, segundo a polícia, reforça a tese de execução.

– Foi um crime praticado por profissionais, assassinos que conhecem profundamente o manuseio de um fuzil e sabem como fazer uma execução sem deixar pistas, comentou o delegado Márcio Caldas, titular da 17ª DP (São Cristóvão), que pedirá a quebra do sigilo telefônico do ex-deputado. A Delegacia de Homicídios vai ajudar nas investigações.

Dentro do carro, foram encontrados R$ 750, documentos e um celular. Um amigo e o irmão de Ary, Altacyr Ribeiro Brum, prestaram depoimento.

– Meu irmão nunca teve inimigos. Era amigo de todo mundo e nunca recebeu ameaças. Não vejo explicação para ter sido assassinado, disse.

Como o veículo ficou colado à mureta de proteção da pista, a perícia não pôde ser realizada no local do crime e o carro foi levado para a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) com o corpo do ex-deputado dentro.

Avisados por um amigo da família que reconheceu Ary no local, dois dos quatro filhos dele foram até a especializada fazer o reconhecimento oficial do pai.

O político vinha recebendo ameaças e costumava andar com seguranças. O delegado disse que investiga possível briga de Ary pela posse de um terreno em Cachoeiras de Macacu, Região Serrana. Parentes e membros do governo serão chamados a depor.

Amigo do ex-contraventor Waldemir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004, ele também era próximo de Rogério Mesquita — preso sob suspeita de matar o ex-presidente da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro Guaraci Paes, em fevereiro. Mesquita e Ary seriam sócios de empreendimentos em Macacu.

O ex-deputado, que exerceu seis mandatos, visitou o amigo na carceragem da Delegacia Anti-Seqüestro, dia 11.

Nem o secretário de Governo, Wilson Carlos de Carvalho, nem o governador Sérgio Cabral comentaram o crime. O velório de Ary ocorre na Alerj.

A morte do ex-deputado causou comoção no distrito de Papucaia, em Macacu, onde morava e administrava a maior festa agropecuária da região, a Expo Papucaia. Segundo amigos, Ary foi um dos responsáveis pela instalação da fábrica de uma cervejaria na cidade, para quem teria conseguido isenção de impostos por 25 anos.

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