Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Coreógrafo brasileiro sucesso na capital suíça

Sábado, 31 de Janeiro de 2009 às 12:39, por: CdB
Sucesso do coreógrafo brasileiro Guilherme Botelho, na capital suíça, Berna, confirmado pela crítica local. Guilherme deverá ir pela primeira vez ao Brasil este ano, no mês de junho, numa tournée organizada por Ana Francisca Ponzio.
 
O convite tinha um tema sugestivo – da mesma substância da qual são feitos nossos sonhos. E anunciava dois coreógrafos para duas representações de balé – antes e depois da Tempestade de Shakespeare. A primeira com a coreógrafa inglesa que dirige atualmente o balé do Teatro Municipal de Berna, Cathy Marston, e a segunda com o coreógrafo brasileiro, Guilherme Botelho, que, depois de muito sucesso na Suíça e numerosos países, se prepara para a primeira tournée no Brasil.
 
Guilherme Botelho começou sua carreira européia, no Teatro Municipal de Genebra, onde dançava no balé dirigido por Oscar Arrais. Tinha vindo de São Paulo, onde dançava no Balé Municipal, hoje Balé da Cidade de São Paulo. Pouco antes de terminar o contrato, tornou-se também coreógrafo e criou a companhia Aliás com a qual já fez cerca de vinte coreografias, tendo viajando pelo mundo, exceto no Brasil, onde participou uma única vez, num festival de balé de Joinvile. Coreógrafo convidado do Teatro Municipal de Berna, á primeira vez que Botelho trabalhou com uma companhia diversa da sua.
 
A dança de Botelho se baseia na insistência, profundidade e na repetição como se quisesse provocar um transe nos espectadores. Os críticos dos jornais de Berna, o Berner Zeitung e o Der Bund gostaram do trabalho do coreógrafo convidado, como que hipnotizados pela força da repetição do balé de Botelho. Lucie Machac, do Der Bund, faz uma descrição perfeita da peça – “os dançarinos aparessem como um exército de robôs na linha de montagem de fábrica, aparecendo com um multidão de caranguejos movendo-se rapidamente ou como partículas que deslizam empurradas pelo vento, uma onda de imagens que é apaixonantes e provoca vertigem”.
 
Marianne Muehlemann, do  Berner Zeitun , se confessa também fascinada pela repetição criada pelos doze bailarinos.
 
Qual o signficado de sua dança ?
 
Guilherme Botelho – a idéia é simples mas desenvolvida com insistência, o que dá uma profundidade ao espetáculo. São pessoas que passam, como se olhássemos numa calçada as pessoas que passam sempre numa direção. Os movimentos, as frase coreográficas são diferentes mas estão integrados num todo, é como uma multidãso que passa. A insistência leva o público a criar as histórias, tem uma teatralidade muito sutil. Não é um espetáculo para ser vitos mas para ser contemplado, como se contempla uma paisagem.
 
Como as ondas na praia ?
 
GB - Exatamente como uma repetição que pode levar ao transe. As ondas são repetitivas mas não são nunca as mesmas.
 
Quantas coreografias já fez ?
 
GB -Muitas, quase na proporção de uma por ano. Essa para o Municipal de Berna não é inteira e tem dançarinos locais. Não sei se pretendem viajar com ela, mas ficará até o mês de março em cartaz. Eles têm o direito de três anos sobre essa coreografia.
 
Qual sua próxima criação ?
 
GB - Tem um título em português – O avêsso do avêsso , com estréia marcada para o 5 de maio em Genebra, no Forum Meyrin.
 
E sua tournée no Brasil ?
 
GB - Parece que desta vez irei mesmo ao Brasil, onde meu trabalho ainda não conhecido. Seria um tournée retrospectiva do meu trabalho com três espetáculos em São Paulo (no Sesc),  Minas e outros Estados. Quem está cuidando disso é a jornalista Ana Francisca Ponzio.
 
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