As Coréias do Norte e do Sul celebraram nesta quarta-feira, em Pyongyang, o quinto aniversário da histórica cúpula intercoreana, mas o programa nuclear do Norte ofusca as perspectivas de reunificação da península.
Havia um otimismo geral no dia 15 de junho de 2000, quando o então presidente sul-coreano, Kim Dae-jung, voou até a capital do Norte para fazer uma visita sem precedentes ao líder comunista Kim Jong-il.
Cinco anos depois, as relações melhoraram, mas promessas importantes da cúpula permanecem por cumprir, bem como uma ida de Kim Jong-il a Seul. Em fevereiro, a Coréia do Norte, um dos países mais pobres e isolados do mundo, declarou possuir armas nucleares.
Além de comparecer às celebrações do aniversário na quarta-feira em Pyongyang, uma delegação do Sul deve transmitir uma mensagem dos presidentes norte-americano, George W. Bush, e sul-coreano, Roh Moo-hyun, para que o Norte volte às negociações pluripartites sobre o fim de seu programa de armas atômicas, em troca de concessões econômicas e garantias de segurança.
O ministro sul-coreano da Unificação, Chung Dong-young, deve comunicar na quinta-feira ao número dois do regime norte-coreano, Kim Yong-nam, os resultados da reunião da semana passada entre Bush e Roh.
Kim Dae-jung, que foi responsável pela organização da cúpula de Pyongyang e por isso ganhou o Nobel da Paz, disse nesta semana que a existência de armas nucleares na Coréia do Norte vai contra o espírito da reconciliação.
- Não podemos, a qualquer preço, aceitar que a Coréia do Norte tenha armas nucleares - afirmou ele em um seminário sobre a data.
Roh, sucessor de Kim, disse no mesmo evento que o Norte receberá concessões do Sul e que haverá maior flexibilidade nas negociações caso o Pyongyang volte ao diálogo, que está congelado desde junho de 2004.
Cerca de 300 cidadãos sul-coreanos e 40 membros do governo viajaram a Pyongyang na terça-feira. Apesar de um atraso de duas horas no vôo, os sul-coreanos foram recepcionados em grande estilo, segundo relatos que chegam do Norte.
Mais de 50 mil pessoas se alinharam nas ruas da capital, sob forte chuva, e acompanharam a delegação até o ginásio Kim Il-sung.
-Agora é hora de acabarmos com a hostilidade política e militar e começar um diálogo sincero e negociações baseadas na confiança - disse o chefe da delegação civil do Sul, Paek Nak-chung, professor da Universidade Nacional de Seul.
Outros sul-coreanos questionaram os resultados da cúpula de 2000.
-Cinco anos depois, é difícil encontrar duas pessoas no país que concordem sobre o seu significado - disse o jornal conservador Chosun Ilbo em editorial.
- A avaliação histórica da cúpula intercoreana vai depender de como a disputa nuclear norte-coreana termina - disse ainda.
A delegação do Sul que participa das festividades desta semana foi reduzida a pedido do Norte. Pyongyang argumentou que seria difícil sentir um espírito de celebração num momento em que o regime comunista diz sofrer uma crescente hostilidade dos Estados Unidos.
Analistas e fontes do governo dizem que os sonhos de reunificação não serão realizados enquanto houver crise nuclear. Mesmo depois disso, os custos de unir o miserável Norte ao Sul, que é a terceira maior economia da Ásia, podem fazer com que muitos prefiram retardar a unificação até que o Norte tenha como acompanhar o ritmo econômico do Sul.