Rio de Janeiro, 23 de Março de 2026

Coréia do Sul negocia como pode com os EUA

Segunda, 23 de Outubro de 2006 às 10:18, por: CdB

Negociadores sul-coreanos e norte-americanos retomaram, nesta segunda-feira, as negociações comerciais bilaterais, enquanto milhares de agricultores e sindicalistas tentavam invadir o local do encontro. Washington e Seul buscam uma abertura comercial nos setores de produtos agrícolas, têxteis, automobilísticos e farmacêuticos. Para isso, têm um prazo informal até o final de março, pois em julho expira a autoridade do governo Bush para negociar acordos com pouca interferência do Congresso.

Houve poucos progressos na reunião de segunda-feira, ocorrida na ilha turística de Cheju, embora os negociadores tenham se dedicado a áreas menos delicadas. Wendy Cutler, representante dos EUA, disse que a complicada questão do mercado sul-coreano de arroz ainda não foi abordada seriamente. O número de manifestantes cresceu para cerca de 10 mil, mas eles foram impedidos pela tropa de choque de se aproximarem do balneário onde ocorria a reunião.

Cerca de 80 ativistas se jogaram no mar e tentaram nadar até o local, sem sucesso. Houve confrontos entre manifestantes e policiais junto aos bloqueios viários. Os agricultores prevêem prejuízos com o acordo comercial e querem indenizações. Se concluído, este será o maior acordo comercial dos EUA desde a assinatura do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), em 1994.

A Coréia do Sul deve continuar resistindo a ampliar a abertura no seu mercado de arroz, enquanto manterá a pressão para ter maior acesso ao mercado têxtil norte-americano, segundo autoridades de Seul. Também são previstas negociações duras nos setores automotivo e farmacêutico, mas a Coréia do Sul parece disposta a abrir mão de tratamento tarifário especial a produtos do parque industrial de Kaesong, que fica na Coréia do Norte, mas é administrado pela Coréia do Sul.

Segundo Cutler, o teste nuclear norte-coreano de 9 de outubro deixou os EUA mais determinados a manterem os produtos de Kaesong fora das negociações. A Coréia do Sul é a décima maior economia mundial e o sétimo principal parceiro comercial dos EUA. O comércio bilateral totalizou US$ 72 bilhões no ano passado.

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