Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Coréia do Sul aprova impeachment do presidente

Sexta, 12 de Março de 2004 às 07:18, por: CdB

O Parlamento da Coréia do Sul aprovou nesta sexta-feira o impeachment do presidente Roh Moo-hyun, suspendendo seu mandato e atirando o país em um clima de incerteza política e econômica nunca visto.

Todos os poderes de Roh foram suspensos até que a Corte Constitucional se pronuncie sobre a votação, convocada por opositores em meio a acusações de que ele havia infringido uma lei eleitoral.

O processo na Justiça pode levar até seis meses, período em que o primeiro-ministro Goh Kun administrará o país. ``Obtivemos uma vitória'', disse Choe Byung-yul, líder do Grande Partido Nacional, o maior da oposição.

Os mercados financeiros da Coréia do Sul reagiram imediatamente à votação, que aconteceu enquanto membros do Parlamento brigavam e choravam. As ações fecharam no menor patamar das últimas cinco semanas e a moeda nacional (won) caiu 1 por cento contra o dólar.
O país está saindo de um período de estagnação econômica e realiza eleições parlamentares no dia 15 de abril.

``Este é o dia em que a democracia de nosso país morreu'', disse o Partido Uri, pró-Roh, que tentou bloquear a votação. Os parlamentares pertencentes à legenda prometeram renunciar.
Em meio a várias cenas de tumulto, 193 dos 273 membros da Assembléia Nacional votaram a favor do pedido de impeachment.

Houve, portanto, mais votos que os 181 (dois terços) necessário. Apenas duas pessoas votaram contra a moção. Todos os outros se abstiveram ou não estavam no local da votação. 

Os aliados de Roh ficaram furiosos. Alguns atiraram seus sapatos contra o presidente do Parlamento depois da votação enquanto outros choravam, gritavam, abaixavam-se no chão ou cantavam o hino nacional.

O presidente afirmou estar certo de que a Corte Constitucional reverterá o impeachment.
Investidores internacionais acompanhavam de perto os acontecimentos na Coréia do Sul, que já enfrenta uma crise devido à Coréia do Norte e cuja economia apenas começa a se recuperar.
A agência de avaliação Fith Ratings disse à Reuters haver, neste momento, um vácuo de poder que poderia prejudicar a economia.

Roh, há pouco mais de um ano no poder, desculpou-se pela crise política. Para a oposição, porém, as desculpas apareceram tarde demais. O presidente é acusado de ter interferido ilegalmente nas eleições parlamentares. 

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