A Coréia do Sul chegou a acordo na segunda-feira com os Estados Unidos e o Japão a respeito de um plano para congelar e desmantelar os programas nucleares da Coréia do Norte, enquanto China e Rússia chegaram a um consenso diferente, dois dias antes das negociações sobre a crise. Analistas não manifestaram esperança de acordo nas negociações que começam na quarta-feira, citando falta de confiança entre os dois protagonistas - Estados Unidos e Coréia do Norte - para encerrar uma disputa que domina a tensão regional desde o final de 2002. Foram necessários seis meses até que as seis delegações voltassem à mesa de negociação. Uma primeira rodada foi realizada em Pequim em agosto e não conseguiu diminuir as diferenças. O vice-ministro do Exterior da Coréia do Sul, Lee Soo-hyuck, disse que os três objetivos para a Coréia do Sul, os EUA e o Japão são persuadir Pyongyang a aceitar um comunicado conjunto em que prometa acabar com seus programas nucleares, estabelecer um grupo de trabalho para regularizar negociações e concordar com uma data para uma terceira rodada.
"A posição dos três países nesta rodada é que todos os programas nucleares, incluindo o programa de urânio altamente enriquecido, precisam ser desmantelados," disse Lee a repórteres após encontro com norte-americanos e japoneses em Seul. Lee, negociador-chefe de Seul, apresentou um plano de três estágios para acabar com o impasse de 16 meses e acabar com os dois programas de Pyongyang de construção de bombas atômicas. Ele disse que era uma versão refinada do que Seul apresentou na primeira rodada, em agosto.
A Coréia do Norte, chamada por Washington de parte do "eixo do mal," ao lado do Irã e do Iraque pré-guerra, propôs recentemente congelar suas atividades nucleares em troca de concessões diplomáticas e ajuda, como primeiro passo em direção a uma resolução. Os Estados Unidos querem que o Norte se comprometa com o fim "completo, irreversível e verificável" de seus programas atômicos.
A primeira fase do plano anunciado por Lee envolveria uma declaração da Coréia do Norte sobre sua disposição de desmantelar seu programa nuclear. Os EUA diriam então que estariam dispostos a dar garantias de segurança. As promessas seriam feitas por escrito, disse Lee. A segunda fase começaria com o congelamento das atividades nucleares da Coréia do Norte, que seriam inspecionadas e teriam recompensas como ajuda energética e outras, disse Lee. O congelamento seria "o início do desmantelamento," disse. "Um congelamento não tem sentido por si só," disse Lee. "Só tem sentido quando é o primeiro passo em direção ao desmantelamento."
Inspeções
A China, anfitriã das negociações, vizinha, maior doadora e maior aliada da Coréia do Norte, disse que seu vice-ministro do Exterior, Wang Yi, e o vice-ministro do Exterior russo, Alexander Losyukov, chegaram a um consenso, mas não deu mais detalhes. Segundo a agência de notícias Xinhua, Losyukov disse que a Rússia apóia a proposta da Coréia do Norte de congelamento do programa de armas atômicas como uma fase do processo.
A posição da Rússia é "muito próxima" da opinião da China, disse ele, de acordo com a Xinhua. A agência disse também que ambos pediram para todos os lados envolvidos "mostrarem flexibilidade e sinceridade." Losyukov expressou otimismo cauteloso, em meio a sinais de que as negociações poderiam ir além dos três dias esperados. "Esperamos o melhor," disse Losyukov, ao chegar a Pequim. As delegações dos EUA e do Japão chegarão ainda nesta segunda-feira, e os norte-coreanos e sul-coreanos, na terça-feira.
Washington, Tóquio e Seul deixaram claro a Pyongyang que as negociações de Pequim devem cobrir não somente o programa de plutônio da Coréia do Norte, mas também o programa com base em urânio. A Coréia do Norte nega ter um programa de enriquecimento de urânio para fazer combustível atômico. Os EUA dizem que autoridades de Pyongyang já reconheceram ter o programa em outubro de 2002, quando foram apresentadas evidências