Pelo terceiro dia consecutivo, a Coreia do Norte disparou nesta sexta-feira sua artilharia na direção de uma fronteira marítima disputada com a Coreia do Sul, o que o governo sul-coreano vê como uma manobra de Pyongyang para pressionar potências regionais.
O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse também que o país vizinho está sofrendo com as sanções da ONU ao seu programa nuclear, mas acrescentou que o regime comunista norte-coreano e seu líder Kim Jong-il seguem firmes no poder.
– Houve o som de cerca de 20 salvas de artilharia sobre as águas norte-coreanas perto da ilha (sul-coreana) de Yeonpyeong –, disse por telefone uma fonte do Estado-Maior sul-coreano.
O Norte já havia disparado nesta semana centenas de salvas na direção da área marítima disputada, mas todas caíram em águas norte-coreanas, sem deixar danos nem feridos.
Os mercados se agitaram esta semana com o começo dos disparos norte-coreanos e com a decisão sul-coreana de reagir. A Bolsa de Seul e a cotação do won local caíram, mas já se recuperaram, uma vez que os dias seguintes mostraram que os incidentes não tinham impacto sobre o comércio - embora lembrassem do risco de investir na conturbada península da Coreia.
Lee disse que as ações de Pyongyang podem se destinar a pressionar Washington a assinar um tratado que termine definitivamente com a Guerra da Coreia (1950-1953), para a qual existe apenas um armistício. Esse tratado, por sua vez, seria uma condição do regime para retomar as negociações sobre o fim do seu programa nuclear, suspensas há mais de um ano.
Para Lee, a ação do Norte "simplesmente não é um bom método".
Invertendo a ordem das reivindicações norte-coreanas, os EUA dizem que antes do tratado de paz a Coreia do Norte deve aceitar as negociações multilaterais sobre seu programa nuclear, envolvendo também Rússia, China, Japão e Coreia do Sul.
As potências regionais oferecem benefícios políticos e econômicos se Pyongyang abrir mão do seu arsenal atômico.