A Coreia do Norte reelegeu Kim Jong-il como seu líder militar supremo na primeira sessão do recém-empossado parlamento nesta quinta-feira, marcando seu retorno aos holofotes enquanto o país celebra o que diz ter sido um triunfal lançamento de satélite. A medida ocorreu no momento em que o Conselho de Segurança da ONU falhou em chegar a um consenso sobre como responder ao lançamento feito no domingo, visto internacionalmente como um teste disfarçado de míssil – o que levou o senador republicano John McCain a pressionar a China, aliado chave dos norte-coreanos, a endurecer com o fechado e empobrecido vizinho.
Kim, de 67 anos, tem se ausentado de grandes eventos públicos após ter supostamente sofrido um derrame em agosto, o que levantou questões sobre a continuidade de seu governo comunista ortodoxo e sobre se haveria alguém preparado para sucedê-lo. O líder norte-coreano, no entanto, fez sua primeira aparição pública em um grande evento estatal desde que supostamente sofreu um acidente vascular cerebral no ano passado, ao participar do encontro anual do parlamento. A TV estatal da Coreia do Norte mostrou Kim presente à sessão.
"A Primeira Sessão da 12ª Assembléia Suprema do Povo da República Democrática e Popular da Coreia elegeu o líder Kim Jong-il presidente da Comissão Nacional de Defesa", disse a agência norte-coreana de notícias KCNA, usando o nome oficial do país. A presidência da Comissão Nacional de Defesa representa o cargo de maior poder na Coreia do Norte, que nomeou Kim Il-sung, pai do atual líder, presidente eterno após sua morte, em 1994.
Ação militar
Não há nenhuma ação militar contra a Coreia do Norte sendo cogitada, disse o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em entrevista a ser transmitida na sexta-feira pelo canal em inglês da rede de TV Al Jazeera. A comunidade internacional tem criticado o recluso regime comunista por lançar um foguete no domingo, sob o pretexto de colocar um satélite em órbita. Os EUA e seus aliados asiáticos acreditam que se tratou de um teste disfarçado de um míssil de longo alcance, o que está proibido por sanções da ONU.
Questionado na entrevista sobre a possibilidade de um ataque à Coreia do Norte, Brown disse:
– Não, eles estão totalmente isolados no mundo todo, e há um desgosto pelo que foi feito para adquirir esta tecnologia nuclear.
A Coreia do Norte ameaçou tomar "medidas fortes" caso o Conselho de Segurança da ONU adote punições ao país. Em declarações divulgadas na quinta-feira, Brown se disse esperançoso com as negociações destinadas a reduzir a ameaça nuclear norte-coreana, que no entanto ameaça boicotar o processo.
– Acho que vocês verão avanços nas negociações nos próximos meses, conforme tentamos chegar a um novo tratado de não-proliferação que seja capaz de atender às aspirações legítimas de países que precisam tanto de defesa própria quanto de energia nuclear civil – afirmou Brown à Al Jazzera English.