Kim Jong-un conversa com generais, após consolidar seu poder na Coreia do Norte
A Coreia do Norte escreveu uma carta aberta endereçada à Coreia do Sul pedindo uma reconciliação e o fim de atos militares hostis. A carta foi divulgada pela imprensa estatal norte-coreana. A Coreia do Sul minimizou o conteúdo da carta, dizendo que o país vizinho tem uma "agenda oculta". Ela vem algumas semanas antes da realização de exercícios militares conjuntos da Coreia do Sul com os Estados Unidos.
Manobras militares costumam gerar tensões na península coreana. No ano passado, um exercício conhecido como Foal Eagle também provocou uma escalada na retórica dos dois países. A Coreia do Norte chegou a ameaçar com um ataque nuclear.
"O que é importante no estabelecimento de uma larga avenida para reparar as relações Norte-Sul é tomar uma decisão corajosa de dar fim a todos os atos militares hostis, que são o maior obstáculo que gera desconfiança e confronto. A República da Coreia do Norte já optou de forma unilateral por interromper todos os atos que possam irritar e caluniar a Coreia do Sul", diz a carta da Comissão Nacional de Defesa da Coreia do Norte.
"Lamentavelmente, as autoridades sul-coreanas continuam sem mudanças nas suas atitudes impróprias e posições negativas", acrescenta o documento, que repercutiu junto às Nações Unidas. O porta-voz do ministério da Defesa da Coreia do Sul, Wi Yong-seop, disse que "a tática militar mais importante é descobrir qual é a agenda oculta do Norte".
Ele atribui as tensões na península à "provocação militar da Coreia do Norte". Na semana passada, a Coreia do Norte havia sugerido a interrupção do exercício norte-americano e sul-coreano.
Manobra secreta
No delicado jogo de gato e rato que as duas Coreias tramam há mais de meio século, tanto o Sul quanto o Norte aplicam o discurso ora pacifista, ora belicista, para marcar posição. A Coreia do Norte, por sua vez, teria efetuado neste domingo, 72 antes de divulgar a carta a Seul, manobras militares secretas, durante as quais simulou um ataque ao maior aeroporto civil nos vizinhos do Sul, segundo publicou o diário sul-coreano Joongang, que cita fonte no governo de Seul.
A fonte, que não foi identificada, declarou que, na noite de 19 de janeiro, tiveram lugar "exercícios noturnos das forças especiais da Coreia do Norte", que simularam tomar as instalações do aeroporto internacional de Incheon. Na operação secreta teriam participado cerca de 150 agentes de uma unidade especial de infiltração norte-coreana, que, segundo a fonte, ensaiaram um atentado terrorista e a ocupação de aviões e instalações no maior aeroporto do país a uns 50 quilômetros a leste da capital.
De acordo com o mesmo diário, o governo da Coreia do Sul "reforçou a segurança no aeroporto internacional de Incheon" e elevou o alerta militar perante a possibilidade de um ataque a partir de uma base norte-coreana. Canais diplomáticos norte-coreanos consideraram a matéria "fantasiosa" e negaram a realização das alegadas manobras militares. Pyongyang, ainda na carta, promete dar os primeiros passos para acabar com a tensão e as hostilidades se os Estados Unidos e a Coreia do Sul cancelassem os exercícios militares previstos para entre fevereiro e abril, mas Seul recusou esta situação.
As Coreias estão tecnicamente em guerra depois de o conflito que enfrentaram entre 1950 e 1953 terminou com um armistício que até hoje ainda não foi substituído por um tratado de paz definitivo.
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