A Coréia do Norte está trabalhando junto com o Irã para desenvolver seus mísseis balísticos de longo alcance, possivelmente com a utilização de tecnologia chinesa, e está construindo grandes bases de lançamento, afirmou um grupo de pesquisa ligado ao governo sul-coreano.
Os norte-coreanos também montam novos locais perto da Zona Desmilitarizada, na fronteira com a Coréia do Sul, para armazenar mísseis de curto-alcance e lançar mísseis de precisão supostamente capazes de atingir o Japão, disse o Instituto de Assuntos Internacionais e Segurança Nacional (Ifans).
- O desenvolvimento dos Taepodong-2 é realizado junto com o Irã e é possível que tecnologia chinesa esteja sendo usada no desenvolvimento dos propulsores do Taepodong-2 - afirmou um relatório divulgado pelo Ifans e obtido pela Reuters na quinta-feira.
A colaboração entre os dois países para finalizar o míssil de longo alcance seria parte de uma rede internacional que incluiu o Paquistão e que permitiu à empobrecida Coréia do Norte desenvolver e preparar mísseis apesar de seus recursos escassos e da realização de poucos testes, disse o documento.
Com mais de mil mísseis de vários tipos, a Coréia do Norte transformou-se no país com o quarto maior arsenal do mundo e está no centro de um esquema de proliferação de mísseis balísticos, afirmou o Ifans, "não apenas em termos as armas propriamente ditas, mas também de tecnologia."
O país disparou sete mísseis no dia 5 de julho, incluindo um Taepodong-2 que, segundo autoridades dos EUA falhou segundos após o lançamento e caiu nas águas que ficam entre o Japão e a península Coreana.
Christopher Hill, o principal enviado norte-americano para as negociações sobre os programas atômicos da Coréia do Norte, disse no mês passado que um ou mais iranianos tinham acompanhado o lançamento do míssil, alimentando suspeitas sobre a existência de laços entre esses dois países, dotados de capacidade nuclear.
O Taepodong-2 é produto dos esforços conjuntos com o governo iraniano e seu desenvolvimento coincide com o dos mísseis Shehab-5 e 6, disse o relatório.
- É altamente provável que tenham sido usados projetos e tecnologia da China, que mantém um comércio de armas com o Irã - disse.
O problema enfrentado pelo Taepodong-2 no teste realizado recentemente deveu-se provavelmente ao fato de seu primeiro estágio de propulsores não ter se separado, afirmou o documento. Esse foi apenas o problema mais recente enfrentado pelo míssil. Em 2002, houve uma explosão durante testes com o propulsor dele.
Mísseis táticos
A participação iraniana no programa de mísseis da Coréia do Norte começou durante a Guerra Irã-Iraque, na década de 1980, quando o governo norte-coreano testou mísseis tipo Scud e começou a enviá-los para o Irã, disse o Ifans.
O arsenal de Scuds continua a ser uma ameaça porque, por meio de modificações, essas armas "progrediram bastante em termos de precisão, mobilidade e tempo de disparo", afirmou o relatório.
A compra, pelos norte-coreanos, de submarinos antiquados da União Soviética, nos anos 1990, cujos sistemas de lançamento e estabilização estavam intactos, levanta a possibilidade de que o país asiático esteja tentado equipar essas embarcações com mísseis táticos, disse o instituto.
A Coréia do Norte está montando uma base de comando de mísseis 50 quilômetros ao norte da Zona Desmilitarizada. Essa base contaria com até 30 rampas de lançamento para os mísseis Hwang, a versão norte-coreana dos Scud, capazes de atingir alvos militares e industriais da Coréia do Sul longe da fronteira, afirmou o relatório.
- Ao preparar os mísseis Rodong e SSN-6 e ao tentar desenvolver os Taepodong-2, a Coréia do Norte avança na construção de novas bases de lançamento e silos de armazenagem em sua costa leste e na fronteira com a China - disse o Ifans.