Rio de Janeiro, 09 de Abril de 2026

Coréia do Norte e EUA discutem lançamento de míssil

A Coréia do Norte deu a entender, nesta quarta-feira, que pode adiar o eventual lançamento de um míssil para discutir o assunto com os Estados Unidos. (Leia Mais)

Quarta, 21 de Junho de 2006 às 08:04, por: CdB

A Coréia do Norte deu a entender, nesta quarta-feira, que pode adiar o eventual lançamento de um míssil para discutir o assunto com os Estados Unidos, mas a Coréia do Sul já ameaçou cortar a ajuda alimentícia que envia ao vizinho caso faça o teste.

- Os Estados Unidos comunicaram sua preocupação sobre nosso teste de lançamento de um míssil. Nossa posição é a seguinte: certo, concordamos, vamos conversar - declarou Han Song-Ryol, vice-representante da Coréia do Norte na ONU, citado pela agência sul-coreana de notícias Yonhad.

No entanto, o diplomata norte-coreano frisou o direito inalienável de seu país de desenvolver e fazer testes de lançamento.

Em 1999, o líder norte-coreano Kim Jong-Il decretou a suspensão do programa de mísseis e reduziu as sanções impostas pelos Estados Unidos ao regime comunista de Pyongyang, considerado por Washington um dos países do chamado "eixo do mal", junto com o Irã, desde 2002.

Em 1998, a Coréia do Norte desencadeou uma crise internacional ao lançar um míssil de longo alcance, Taepodong-1 - com capacidade para alcançar um alvo a 2.000 km - que sobrevoou o Japão e caiu no Oceano Pacífico.

Os Estados Unidos, o Japão e a Coréia do Sul suspeitam que Pyongyang está preparando um teste de lançamento de um "Taepodong-2" com um alcance de 6.700 km, que pode atingir as ilhas do Havaí.

Há vários dias especula-se sobre um iminente lançamento norte-coreano, que foi definido pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, como "um assunto muito grave e uma provocação".

Em sinal do aumento da tensão, a Coréia do Sul anunciou nesta quarta-feira uma possível suspensão -e até o fim total- da- ajuda alimentícia que envia à sua vizinha do Norte.

- Se a Coréia do Norte lançar um míssil, isto terá um impacto sobre nossos envios de arroz e fertilizantes - declarou Yang Chang-Seok, porta-voz do ministério encarregado das relações com o regime norte-coreano.

Nos últimos seis anos de tentativa de aproximação, Seul se comprometeu a abastecer Pyongyang. Em 2005, enviou 350 mil toneladas de fertilizantes e 500 mil toneladas de arroz.

Mesmo assim, o ex-presidente sul-coreano Kim Dae-Jung -artífice da aproximação com o Norte depois de uma cúpula histórica em 2000- cancelou a visita de quatro dias que havia marcado para Pyongyang.

- Para nós, não é o momento adequado -  destacou Jeong Se-Hyun, ex-ministro sul-coreano da Unificação e suposto acompanhante de Kim.

Os chanceleres de Japão e Coréia do Sul concordaram na terça-feira cooperar para impedir o regime stalinista norte-coreano de fazer o teste de lançamento do míssil balístico.

Os Estados Unidos não confirmaram oficialmente as notícias da imprensa sobre a "iminência" de um lançamento por falta de "informações conclusivas".

Porém, o jornal Washington Times destacou que o sistema americano de mísseis antimísseis terrestres passou de um nível experimental a um operacional nas duas últimas semanas.

A nova crise coincide com a paralisação, desde novembro de 2003, das discussões multilaterais para tentar convencer a Coréia do Norte de abandonar seu programa de armas nucleares.

Depois de ter aceitado desmantelar seu arsenal em setembro do ano passado, a Coréia do Norte pediu a suspensão das sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a várias empresas norte-coreanas, acusadas de bloqueio de dinheiro.

Alguns analistas afirmam que a Coréia do Norte mantém o temor de um teste de lançamento de um míssil balístico para atrair a atenção americana e negociar em posição de força.

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