Nesta segunda-feira, a Coréia do Norte conduziu um teste nuclear subterrâneo, desafiando uma advertência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e colocando sua abalada economia em risco de novas sanções. Os militares da Coréia do Sul ordenaram o Exército a aumentar um estado de alerta depois que Pyongyang anunciou seu primeiro teste nuclear, que provocou críticas até da China, que também é comunista.
A atitude de Pyongyang, anunciada cerca de 30 minutos antes da chegada do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a Seul para uma visita, pode aumentar a tensão regional e representar um novo golpe à política externa do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A Casa Branca classificou o ato de "provocativo" e disse esperar que o Conselho de Segurança da ONU adote sanções imediatamente.
O anúncio da Coréia do Norte levou o dólar para seu patamar mais alto em oito meses frente ao iene e ajudou a elevar o preço do petróleo para acima de US$ 60 dólares. Em Seul, o won caiu 1,5%, atingindo o ponto mais baixo em dois meses.
Em reportagem de Moscou, o canal japonês NHK disse que uma autoridade do Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou ter "100% de certeza" de que a Coréia do Norte realizou um teste naquele horário.
A agência de notícias oficial de Pyongyang, a KCNA, disse que não houve vazamento nem perigo no teste. Segundo medidas da Agência Meteorológica do Japão, o ele foi realizado na região de Gilju, na costa nordeste do país e a cerca de 110 quilômetros da fronteira chinesa.
"O teste nuclear foi conduzido com 100 por cento de conhecimento e tecnologia locais", disse a KCNA.
Analistas afirmam que a Coréia do Norte provavelmente tem material suficiente para fazer entre seis a oito bombas nucleares, mas que provavelmente não tem a tecnologia para fabricar um artefato pequeno o suficiente para ser acoplado a um míssil.
Pyongyang não deu indicações se fará outros testes. Índia e Paquistão foram os últimos países a conduzir teste nucleares, em 1998, e fizeram diversas experiências.
Consequências
Gary Gibson, do Centro de Pesquisa Sismológica da Austrália, estima uma explosão de cerca de um quiloton. Isso seria pouco em comparação ao maior teste da Índia, de cerca de 45 quilotons, e com a bomba de 10 quilotons lançada pelos EUA contra a cidade japonesa de Hiroshima em 1945.
Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU exortou a Coréia do Norte a não realizar o teste, advertindo para consequências não especificadas se fizesse o experimento.
O chanceler do Japão, Taro Aso, disse que Tóquio está cogitando mais sanções contra a Coréia do Norte e que poderá trabalhar por uma nova resolução no Conselho de Segurança se o teste nuclear for confirmado.
O Conselho de Segurança deverá se encontrar nesta segunda-feira para nomear oficialmente o ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Ban Ki-moon, como próximo secretário-geral da ONU. O conselho deverá abordar também o tema nuclear.
Uma autoridade dos EUA, falando com a condição de manter o anonimato, disse que o Norte avisou a China 20 minutos antes do teste e que Pequim alertou Washington, Tóquio e Seul imediatamente.
Apesar de ser próxima da reclusiva Coréia do Norte, a China classificou o teste de "atrevido" e pediu para o vizinho evitar qualquer ação que piore a situação. A Coréia do Norte anunciou sua intenção de testar um aparato nuclear na semana passada, dizendo que foi forçada a isso pelo o que chamou de ameaças norte-americanas de guerra nuclear e sanções econômicas. Mas disse que não será a primeira a usar uma arma nuclear.
- A Coréia do Norte está usando isso como moeda de barganha para ganhar terreno para que Washington leve o país a sério - disse Dewi Fortuna Anwar, analista político do Instituto de Ciências da Indonésia e ex-assessor presidencial do seu país.
Zhang Liangui, especialista em Coréi