Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Coréia do Norte critica EUA e põe em dúvida diálogo nuclear

A Coréia do Norte lançou ataques verbais contra os Estados Unidos nesta terça-feira, exigindo que Washington retire suas tropas do Sul e dizendo que a política norte-americana de direitos humanos levanta dúvidas sobre as negociações em torno da crise nuclear.(Leia Mais)

Terça, 27 de Julho de 2004 às 06:56, por: CdB

A Coréia do Norte lançou ataques verbais contra os Estados Unidos nesta terça-feira, exigindo que Washington retire suas tropas do Sul e dizendo que a política norte-americana de direitos humanos levanta dúvidas sobre as negociações em torno da crise nuclear.

A mídia estatal de Pyongyang lançou seu novo ataque contra Washington no dia em que mais de 200 refugiados norte-coreanos chegaram à Coréia do Sul a partir do Sudeste Asiático, no maior grupo a deixar o país comunista.

"Agora que os EUA fazem provocações políticas incessantes contra a Coréia do Norte, com tanta antipatia e hostilidade em relação ao seu sistema político, a Coréia do Norte é compelida a ponderar se há qualquer necessidade de continuar a dialogar com os EUA por um acordo sobre o tema nuclear neste momento", dizia um comunicado do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano.

O documento, reproduzido pela agência oficial de notícias KCNA, criticava a legislação de direitos humanos aprovada na semana passada pelo Congresso dos EUA. Esta lei está "cheia de mentiras e fabricações" destinadas a subverter o Norte, dizia o texto.

A Lei de Direitos Humanos da Coréia do Norte, aprovada por unanimidade na semana passada, pede que os EUA apoiem os refugiados norte-coreanos e liderem a pressão internacional sobre o Norte nos temas de direitos humanos e transparência. "Os EUA consideram o tema nuclear e o dos direitos humanos como duas ferramentas para a execução de sua política de isolar e sufocar a Coréia do Norte", dizia o texto.

O Ministério das Relações Exteriores repetiu a rejeição de Pyongyang aos pedidos feitos no sábado pelos EUA para que o país siga o exemplo da Líbia e troque as armas nucleares e outras armas perigosas por melhores relações comerciais e diplomáticas com o Ocidente.

A negociação sobre o programa nuclear da Coréia do Norte está sendo debatida entre as duas Coréias, Japão, EUA, China e Rússia. A próxima rodada de conversas está marcada para setembro.

Em rara carta para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, a Coréia do Norte pediu a dissolução do Comando da ONU na fronteira entre as Coréias e a retirada de tropas dos EUA do Sul. "Em nossa visão, uma guerra na Coréia é quase inevitável enquanto continuar a política hostil dos EUA em relação à Coréia do Norte", dizia a carta.

A Coréia do Norte continua tecnicamente em guerra com o Sul, pois o conflito terminou em trégua em 27 de julho de 1953, sem um acordo de paz. Milhares de pessoas já fugiram da Coréia do Norte para o Sul através da China e de outros países nos últimos anos. O país comunista foi condenado pela ONU por violações dos direitos humanos e especialistas dizem que pelo menos um milhão de pessoas morreram de fome desde os anos 1990.

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