A Coréia do Norte pediu aos Estados Unidos que mude o que chamou de "atitude hostil" se deseja acabar com a tensão envolvendo os dois países. Em uma mensagem divulgada por meio da agência estatal de notícias norte-coreana, o governo afirmou que tal mudança iria ser a chave do sucesso da reunião entre representantes dos dois países e da China, que está ocorrendo em Pequim. As negociações, iniciadas nesta quarta-feira, foram retomadas nesta quinta-feira e são a primeira entre enviados dos dois países desde que a atual crise envolvendo americanos e norte-coreanos começou, em outubro. O chefe da delegação americana, James Kelly, se recusou a dar qualquer detalhe sobre as conversas ao final do primeiro dia de reunião. Segundo Caroline Gluck, correspondente da BBC na capital sul-coreana, Seul, esta não é a primeira vez que a Coréia do Norte pede uma mudança radical de postura ao governo americano. No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou que considerava a Coréia do Norte parte do "Eixo do Mal", junto com o Irã e o Iraque. A Coréia do Norte já acusou várias vezes os Estados Unidos de estar preparando um ataque preventivo contra o país, como fizeram os americanos contra o Iraque. A correspondente da BBC disse que essa apreensão por parte da Coréia do Norte teria aumentado há poucos dias, quando veio à tona um memorando do secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, pedindo o afastamento do atual governo em Pyongyang. "Há uma enorme falta de confiança entre os dois governos, algo que estas reuniões preliminares dificilmente vão mudar", disse Gluck. Os Estados Unidos esperam convencer os norte-coreanos, durante a reunião em Pequim, a abandonar o seu programa nuclear. Em outubro passado, os americanos acusaram a Coréia do Norte de manter um programa nuclear secreto, em desrespeito a um acordo firmado pelas autoridades de Pyongyang em 1994. Pouco depois, a Coréia do Norte anunciou que iria reativar uma usina nuclear no país e expulsou de seu território fiscais da ONU, que lá estavam para verificar as instalações nucleares norte-coreanas. Com o agravamento da tensão com os Estados Unidos, a Coréia do Norte acabou anunciando sua saída do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Segundo a correspondente da BBC, a Coréia do Norte indicou que está disposta a negociar em troca de ajuda e de garantias de que não será atacada. No entanto, outras opções ainda estão abertas, e Pyongyang pode decidir manter seu poderio militar e seus planos nucleares para evitar o destino que foi reservado ao regime de Saddam Hussein no Iraque.
Coréia do Norte cobra dos EUA atitude menos hostil
Quinta, 24 de Abril de 2003 às 06:54, por: CdB