Rio de Janeiro, 14 de Outubro de 2026

Coréia do Norte ameaça reduzir Coréia do Sul a escombros

Terça, 28 de Outubro de 2008 às 07:36, por: CdB

O Exército norte-coreano ameaçou reduzir a Coréia do Sul a escombros a não ser que Seul impeça que grupos cívicos mandem panfletos anti-Pyongyang para o Estado comunista. A Coréia do Norte criticou o presidente sul-coreano, que tomou posse em fevereiro, por suas promessas de endurecer a postura com o país vizinho. O Estado comunista está enraivecido com a nova série de panfletos enviados nos últimos meses à Coréia do Norte por meio de balões.

– Deixamos clara a nossa posição de que, se as autoridades-marionete da Coréia do Sul continuarem a mandar panfletos e conduzir uma campanha suja cheia de mentiras, nosso Exército vai tomar uma atitude resoluta, como já avisamos – disse um porta-voz do Exército, segundo a agência de notícias KCNA.

Em uma rara rodada de conversas militares na véspera, a Coréia do Norte reclamou dos panfletos. Ativistas sul-coreanos enviaram mais 100 mil panfletos, mesmo depois de Seul ter mandado que não fizessem isso.

O envio de panfletos é uma prática que já ocorre há anos. Analistas dizem que os mais recentes irritaram mais porque abordaram um assunto-tabu no Norte - a saúde do líder Kim Jong-il.
Autoridades norte-americanas e sul-coreanas disseram que Kim pode ter tido um derrame em agosto, o que desperta dúvidas sobre quem está no comando da única dinastia comunista da Ásia, tomando as decisões sobre o programa nuclear.

A Coréia do Norte diminuiu suas ameaças ao Sul quando recebeu uma ajuda incondicional de vários presidentes liberais que comandaram o país por 10 anos antes de Lee Myung-bak.
Mas agora Lee está sendo duramente criticado, pois quer aumentar as medidas para impedir o progresso do programa nuclear norte-coreano. A Coréia do Norte o chama de traidor. Há cerca de seus meses, ameaçou reduzir a Coréia do Sul a cinzas.

Alguns especialistas dizem que a retórica mais dura pode significar que a paciência da Coréia do Norte está chegando ao fim e que o país pode iniciar provocações ao Sul, sem, no entanto, lançar um ataque em larga escala.

– A Coréia do Norte pode aproveitar um pequeno acidente ou intrusão não-intencional por terra ou por mar, e aumentá-lo para um combate militar localizado, o que seria uma grande ameaça à segurança da península coreana como um todo – disse Koh Yu-hwan, especialista da Universidade de Dongguk, em Seul.

Muito doente

O líder da Coréia do Norte, Kim Jong-il, encontra-se provavelmente hospitalizado, mas ainda estaria apto a comandar o país, afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, citando informações de agências de inteligência de várias nações.

Autoridades dos serviços secretos dos EUA e da Coréia do Sul disseram no mês passado que Kim havia sofrido um derrame em agosto, alimentando dúvidas sobre quem será o sucessor dele e, especialmente, sobre quem passará a dar as cartas a respeito do programa de armas nucleares do país.

– Há informações sobre ele estar provavelmente hospitalizado neste momento, Acho que dados vindos de vários países concordam em afirmar que, apesar de o estado de saúde dele não ser bom, é improvável que não possa tomar nenhuma decisão. E haverá outros desenvolvimentos a partir daqui – afirmou Aso a uma comissão parlamentar.

As declarações de Aso repetem em linhas gerais as do presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, segundo o qual o líder norte-coreano continuava no comando. No mês passado, Lee disse não terem ocorrido mudanças na Coréia do Norte em decorrência do estado de saúde de Kim.

Enquanto isso, a agência de notícias Yonhap atribuiu ao chefe dos serviços de inteligência da Coréia do Sul a declaração de que Kim parece estar bem o suficiente para continuar com suas obrigações do dia-a-dia. Essa informação teria sido repassada à agência por um parlamentar.

No começo deste mês, meios de comunicação oficiais da Coréia do Norte divulgaram pela primeira vez em 50 dias que Kim havia feito uma aparição pública. Mas especialistas disseram que as fotos publicadas haviam sido tiradas meses antes, o que alimentou mais boatos a respeito da saúde dele.

O governo norte-americano retirou este mês a Coréia do Norte da lista de países acusados pelos EUA de patrocinarem o terrorismo. A manobra aconteceu depois de os dois países haverem chegado a um acordo sobre as medidas de verificação em torno do programa nuclear norte-coreano.

Após a retirada da lista, o governo da Coréia do Norte aceitou retomar o desmantelamento de sua usina nuclear.

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