A Coréia do Norte colocou em perigo o acordo feito entre seis países com o compromisso de desistir das armas nucleares, prometendo manter as armas até que Washington forneça reatores atômicos civis.
O Departamento de Estado norte-americano disse que a visão da Coréia do Norte, divulgada em um longo comunicado, não é compatível com o acordo assinado em Pequim nesta terça-feira.
A China pediu para todas as partes cumprirem suas promessas. Seul disse que vai assumir a liderança para tentar diminuir as diferenças entre os EUA e a Coréia do Norte. O Japão vê um possível caminho para negociar.
- Precisamos acompanhar a Coréia do Norte de perto para ver se há realmente uma diferença fundamental naquele ponto. Se estivermos totalmente em divergência, isso significará voltar ao início, mas não acreditamos neste caso - disse a repórteres o porta-voz do gabinete japonês, Hiroyuki Hosoda.
Os seis países, incluindo a Rússia, concordaram nesta segunda-feira em estabelecer princípios para acabar com os programas nucleares de Pyongyang em troca de ajuda e reconhecimento de seu direito a um programa atômico civil. Os seis concordaram em discutir o fornecimento de um reator de água leve "no momento apropriado".
Analistas disseram que a Coréia do Norte já recuou em de posições acertadas em outras ocasiões, e que o acordo ainda não está morto.
- Acho que o que eles estão fazendo é negociar. Eles estão apresentando uma posição extrema - disse Peter Hayes, especialista em Coréia do Norte do Royal Melbourne Institute of Technology.
O comunicado do Ministério do Exterior da Coréia do Norte pode ter como alvo a própria população do país, disse Toshimitsu Shigemura, da Universidade Waseda, de Tóquio.
Autoridades reagiram com otimismo em relação ao fim da rodada de negociações, mas céticos advertiram que o acordo continha muitas palavras e poucas ações práticas.
O enviado de Pyongyang para as negociações, o vice-ministro do Exterior Kim Kye-gwan, disse a repórteres em Pequim que "não haverá desistência antecipada".
Em Pyongyang, ele disse esperar que a Coréia do Norte e os EUA coloquem em prática o acordo de Pequim. Seul afirma que os comentários do Norte não são uma surpresa.
Os EUA, com apoio do Japão, afirmam que a Coréia do Norte não pode ser confiável na questão da energia atômica, porque já quebrou um acordo anterior de suspender o desenvolvimento de armas.
Mas China, Coréia do Sul e Rússia dizem que se Pyongyang eliminar suas armas nucleares e concordar com meios de segurança, deveria ter um programa de energia no futuro. A volta das negociações entre os seis países está programada para novembro.