A Coréia do Norte ameaçou retomar os testes com mísseis de longo alcance e exigiu que os EUA pedissem desculpas por chamar o país de um "posto avançado da tirania", noticiou a imprensa oficial.
Na versão em coreano de uma notícia divulgada na noite de quarta-feira pela Agência de Notícias Central Coreana (KCNA), o Ministério das Relações Exteriores do país comunista afirmou em comunicado que os norte-coreanos têm direito de testar os mísseis, apesar de uma moratória declarada seis anos atrás.
O comunicado afirmava que a Coréia do Norte não se sentia obrigada a cumprir a moratória de 1999, declarada quando o país negociava a não-proliferação de armas de destruição em massa com o governo dos EUA, então sob o comando do presidente Bill Clinton.
Segundo o país asiático, seu diálogo com os norte-americanos terminou com a chegada de George W. Bush ao poder em 2001 e que isso lhes dava o direito de retomar os testes com mísseis.
- Atualmente, não há nada que nos obrigue a seguir a moratória sobre o teste com mísseis. Não estamos legalmente obrigados a nenhum tratado internacional ou a nada do tipo na questão dos mísseis."afirmou o comunicado segundo a KCNA.
O governo norte-coreano também criticou os EUA por terem acusado o país de pertencer a um "eixo do mal" e, mais recentemente, por descrevê-lo como um "posto avançado da tirania".
- Os norte-americanos deveriam pedir desculpas pelas declarações citadas acima e deveriam retirá-las, renunciando a uma política hostil cuja meta é a troca de regime na DPRK (sigla do nome oficial da Coréia do Norte) - afirmou o comunicado.
Uma versão em inglês da notícia da KCNA omitiu a menção aos testes com mísseis e aventou a possibilidade de o país retomar as negociações sobre seus programas nucleares se "os EUA adotarem uma atitude confiável e sincera".
O míssil norte-coreano Taepodong 1 teria a capacidade de voar 2.500 quilômetros e o país asiático estaria desenvolvendo um míssil capaz de chegar à Costa Oeste dos EUA. No dia 10 de fevereiro do ano passado, a Coréia do Norte anunciou pela primeira vez que possui armas nucleares.