A redução gradativa da taxa básica de juros (Selic), de setembro do ano passado para cá, "tem contribuído de maneira importante para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos". A avaliação foi feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) e está contida na ata da reunião da semana passada, divulgada nesta quinta-feira. Mas, no documento, o Comitê deixa claro que o BC poderá atuar com "maior parcimônia", doravante, na flexibilização da política monetária e alerta também para o comportamento do petróleo no mercado internacional.
"O Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia", apontou a ata, divulgada nesta quinta-feira. A frase difere da expressa no documento da reunião anterior pela inclusão da palavra "maior".
Segundo o colegiado, a redução constante da inflação, que há dois meses aponta para expectativa abaixo da meta de 4,5%, ajuda a consolidar um "cenário de estabilidade duradoura" na economia, com possibilidade de "manutenção do processo de redução progressiva da percepção de risco macroeconômico que vem ocorrendo nos últimos anos". A ata revela a constatação do Copom de que há espaço para "juros reais menores no futuro", e a avaliação de que a atuação cautelosa da política monetária, ao reduzir 5 pontos percentuais (de 19,75% para 14,75%) da Selic ao longo de dez meses, "tem sido fundamental para aumentar a probabilidade de convergência da inflação para a trajetória de metas".
O documento mostra, porém, que para isso continuar se traduzindo em resultados "é preciso que os indicadores prospectivos de inflação apresentem elementos compatíveis com o cenário benigno que tem se configurado nos últimos meses". A ata revela a expectativa do Copom de baixa possibilidade de risco, uma vez que os dados referentes à atividade econômica sugerem expansão "em ritmo condizente com as condições de oferta".
"A despeito da perspectiva de consolidação de um ambiente de menor liquidez global" - em virtude da elevação dos juros nas economias industrializadas e do alto preço do petróleo no mercado internacional - "o cenário externo permanece favorável; particularmente no que diz respeito às perspectivas de financiamento para a economia brasileira".
O Copom considera relevante ressaltar mais uma vez a defasagem entre a redução da taxa básica de juros e seus efeitos sobre o nível de atividade e sobre a inflação, e diz que boa parte dos efeitos da flexibilização iniciada em setembro de 2005 "ainda não se refletiu no nível de atividade", assim como os efeitos da recente retomada da atividade sobre a inflação também não tiveram tempo de se materializar.
Com atenção redobrada na expansão do consumo, nas incertezas da economia e na menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de mercado, o Copom entende que "a preservação das conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, poderá demandar que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia", a partir de agora.
Essa ponderação se torna ainda mais relevante, segundo a ata, quando se leva em conta que as próximas decisões de política monetária terão impactos progressivamente mais concentrados em 2007. Por isso, o Copom promete esquadrinhar, com toda atenção possível, os acontecimentos da atividade econômica, aqui e no exterior, antes da próxima reunião, agendada para os dias 30 e 31 de agosto.
O colegiado afirmou, ainda, que persiste um maior grau de incerteza em relação à duração e à intensidade do ciclo de ajuste monetário nos EUA: "Ainda que tenha ocorrido certa acomodação nas últimas semanas, o