Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Copom vai manter arrocho econômico por quanto tempo 'for necessário'

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central considera que a “atual postura de política monetária” será mantida “enquanto for necessário” para assegurar “a convergência da inflação com a trajetória de metas”. (Leia Mais)

Quinta, 12 de Junho de 2008 às 07:58, por: CdB

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central considera que a “atual postura de política monetária” será mantida “enquanto for necessário” para assegurar “a convergência da inflação com a trajetória de metas”. A informação consta da ata da reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira, pelo Banco Central. Na reunião, realizada nos dias 3 e 4, o comitê decidiu por unanimidade aumentar a taxa básica de juros, a Selic, de 11,75% para 12,25% ao ano, como forma de conter a inflação.

“Evidentemente, na eventualidade de se verificar alteração no perfil de riscos que implique modificação do cenário prospectivo básico traçado para a inflação pelo comitê neste momento, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias”, diz a ata.

O comitê voltou a destacar a necessidade de prudência no momento atual, “caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária corrente e esperada”.

Para o Copom, que se considera respaldado pela experiência internacional, “a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais do que quando esta se encontra consolidada”.

Na ata, o comitê considera que os investimentos na economia para ampliar a capacidade produtiva e as importações ajudam a evitar que "a pressão inflacionária se intensifique ainda mais". Entretanto, o Copom avaliou que o ritmo de expansão da demanda doméstica deve continuar sendo sustentado, principalmente, pelo crescimento da renda e do crédito, o que leva a riscos para a "dinâmica inflacionária".

Mas, no documento, o comitê ressalta que o ritmo crescimento do crédito deve ter alguma moderação nos próximos meses, assim como as transferências governamentais, como o Bolsa Família, terão “intensidade menor do que se antecipava anteriormente”.

"Nesse contexto, a redução consistente do descompasso entre o ritmo de ampliação da oferta de bens e serviços e o da demanda continua sendo central na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária".

Economia aquecida

Os sinais de aquecimento da economia, ilustrados pela "aceleração de certos preços no atacado", alta de preços de produtos no varejo e a rápida elevação das expectativas dos índices são considerados riscos para a inflação. A conclusão também consta na ata da última reunião Copom.

"De fato, a deterioração do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo comitê. O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas tende a exacerbar o risco para a dinâmica inflacionária".

Por isso, o comitê considerou necessário elevar os juros, para "por um lado, contribuir para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação".

Na ata, o Copom diz ainda que, ao aumentar os juros, está contribuindo para a sustentação do crescimento da economia, o que requer estabilidade e previsibilidade, permitindo o planejamento das empresas e famílias, "bem como para resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados observados nos últimos anos".

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