A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na quinta-feira, mostra que a economia brasileira está em estado de alerta para agir, caso a trajetória da inflação ameace o descumprimento da meta, com a pronta elevação dos juros. Seria a primeira elevação da taxa Selic, o juro básico brasileiro, em mais de dois anos e meio. De acordo com o documento, a prudência passa a ter "papel ainda mais importante" na atualidade.
"Mesmo considerando que, no momento, a manutenção da taxa básica de juros é a decisão mais adequada, o comitê reitera que está pronto para adotar uma postura diferente, por meio do ajuste dos instrumentos de política monetária, caso venha a se consolidar um cenário de divergência entre a inflação projetada e a trajetória das metas. A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos como o atual, caracterizado pela deterioração do balanço dos riscos inflacionários", aponta o documento.
Com base no atual cenário internacional e o foco na crise dos títulos hipotecários, nos Estados Unidos, que leva em conta a atual taxa de 11,25% ao ano e dólar a R$ 1,75, "a projeção para o IPCA em 2008 elevou-se sensivelmente em relação ao valor considerado na reunião de dezembro" e agora se encontra em torno da meta central de 4,5%. O juro básico foi elevado pela última vez em maio de 2005. A partir daí, a Selic teve o mais longo período de cortes já visto, que durou até outubro do ano passado - mês em que passou a ser mantida nos atuais 11,25% ao ano.
Crise externa
De acordo com a ata, o Copom considera "fundamental" ressaltar que os efeitos da política monetária sobre a atividade são defasados e, assim, "parte relevante" dos cortes já feitos na Selic ainda não se refletiu na economia.
"E tampouco os efeitos da atividade sobre a inflação tiveram tempo de se materializar por completo", acrescentou o colegiado do Banco Central.
Sobre as turbulências externas, o Copom avaliou que o quadro de desaceleração dos Estados Unidos está consolidado, "mas continua a incerteza quanto à sua intensidade e duração". A ata completou, no entanto, "a visão dominante parece ser a de que a desaceleração não seria prolongada".
Reunião do CMN
avalia empréstimos
O Conselho Monetário Nacional (CMN) também reuniu-se, nesta quinta-feira, com a presença do ministro interino da Fazenda, Nelson Machado, para avaliar, entre os assuntos a serem discutidos, a suspensão do pagamento de empréstimos agrícolas, negociados entre o governo e a Comissão de Agricultura da Câmara. Também será analisada proposta de reprogramação de parcelas a vencer de financiamento de custeio, comercialização, estocagem e colheita financiados pelo Funcafé, com vencimento entre 2 de janeiro e 30 de junho deste ano.