Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2026

Copom se reúne e deverá subir taxa de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza, nestas terça e quarta-feiras, a reunião para discutir como ficará a taxa básica de juros que remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic). A reunião começa sempre depois das 15 horas e, até o início da noite, o colegiado do BC ouvirá exposições dos chefes de departamento do banco sobre as perspectivas nos diferentes segmentos da economia, no Brasil e no exterior, com enfoque especial para o acompanhamento de preços e possíveis pressões inflacionárias. (Leia Mais)

Terça, 03 de Junho de 2008 às 07:46, por: CdB

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central realiza, nestas terça e quarta-feiras, a reunião para discutir como ficará a taxa básica de juros que remunera os títulos depositados no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic). A reunião começa sempre depois das 15 horas e, até o início da noite, o colegiado do BC ouvirá exposições dos chefes de departamento do banco sobre as perspectivas nos diferentes segmentos da economia, no Brasil e no exterior, com enfoque especial para o acompanhamento de preços e possíveis pressões inflacionárias.

A “dosagem” no aumento da taxa de juros, hoje de 11,75% ao ano, somente será conhecida no início da noite de amanhã, mas os consultores econômicos da iniciativa privada acreditam, de acordo com a pesquisa Focus da última sexta-feira, que o Copom deve repetir a elevação de 0,5 ponto percentual usada na reunião de abril.

O economista do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria, Pedro Raffy Vartanian, afirma que “o aumento da Selic é fato, devido ao cenário de pressão nos preços. Resta saber qual o tamanho do aperto monetário”. Ele acredita que o aumento será de no mínimo 0,50 ponto percentual, mas admite que os diretores do BC podem discutir possibilidade maior de aperto, pois “o cenário inflacionário vem se deteriorando”.

Posição semelhante foi manifestada pelo presidente do Sindicato das Financeiras dos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Secif), José Arthur Assunção. Ele afirmou que “o BC será implacável com a inflação durante todo este ano”. A autoridade monetária está pronta, segundo ele, para aumentar a táxa básica de juros o quanto for preciso para evitar uma alta generalizada da inflação.

O conselheiro econômico da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Istvan Kasznar, também concorda com a elevação de 0,5 ponto percentual e lembra que a ata da última reunião do Copom foi um alerta ao mercado de que haverá tantos aumentos quantos forem necessários para conter a inflação.

É importante lembrar, segundo ele, que a pressão de preços no país  “é resultado também da conjuntura internacional, devido a um período de franca elevação das commodities agrícolas e do petróleo. O BC precisa tomar providências pontuais para que a meta de inflação seja cumprida”.

- Agora que atingimos o 'grau de investimento', temos que preservar o que conquistamos com tanto sacrifício - disse.

Cenário externo

Durante os proximos meses, a média dos preços dos alimentos no mundo deve recuar ante os atuais picos, mas ainda ficará até 50% mais alta na próxima década do que nos 10 anos anteriores, afirmou o presidente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurria, nesta terça-feira.

- Temos a visão de que o preço dos alimentos não ficará nos patamares atuais, apesar de que ficará entre 10% e 50% acima do que esteve na última década, em média, nos próximos 10 anos - afirmou.

A previsão de Gurria ocorre no dia em que líderes mundiais abriram a conferência em Roma sobre a crise global dos alimentos desencadeada pela alta no preço das commodities agrícolas.

Depois de um longo período de baixos custos dos alimentos em boa parte do mundo, os preços de mercadorias como arroz, milho e algodão subiram nos últimos meses, com alguns preços atingindo seus maiores níveis em 30 anos em termos reais. Gurria afirmou que as incertezas sobre o abastecimento de energia bem como os obstáculos nos fornecimentos básicos ajudaram a impulsionar o preço do petróleo para altas recordes e que a situação não está propensa a mudanças.

- Essa não é uma alta especulativa, que é parte do problema no casos dos alimentos. Esse é um problemas básico de fornecimento, demanda e segurança - explicou.

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