A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para definir a taxa básica de juros para os próximos 45 dias, a Selic, começou nesta terça-feira. No primeiro dia de reunião os chefes de departamento do BC fazem apresentações técnicas sobre a conjuntura econômica e financeira. Nesta quarta-feira, será feita análise das projeções atualizadas da inflação para que seja definida a nova meta da Selic por decisão dos diretores e do presidente do Banco Central.
A Selic, usada pelo Banco Central para ajudar a controlar a inflação, é a taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight), lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Depois que o Copom estabelece a taxa Selic, cabe à mesa de operações do mercado aberto do Banco Central manter a taxa diária próxima à meta.
De acordo com o boletim Focus, divulgado na véspera pelo Banco Central, analistas de mercado esperam que seja mantida a "dosagem" do aumento dos juros em 0,5 ponto percentual como fez nas duas últimas reuniões realizadas pelo Comitê.
Atualmente, a meta da Selic está em 12,25%, um ponto percentual acima do valor fixado (11,25%) no início deste ano, caracterizado pelo alta de alimentos e commodities no mundo. No mercado interno, o Banco Central vê descompasso entre oferta e demanda.
Centro da meta
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles tem dito que a inflação deve convergir para o centro da meta de 4,5% no próximo ano. Nos 12 meses fechados em junho, a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), está em 6,06% próxima do limite da meta de 6,5%.
Ao definir a meta de inflação, o Conselho Monetário Nacional estabeleceu uma margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Ou seja, a inflação estará na meta se ficar no intervalo de 2,5% a 6,5%. Mas os analistas de mercado já projetam o IPCA em 6,53% ao final de 2008. Para o próximo o ano, que tem a mesma meta, a expectativa é que a inflação seja de 5%.
No caso de a meta de inflação não ser cumprida, cabe ao Banco Central comunicar por meio de carta aberta ao ministro da Fazenda o motivo para o descumprimento, as medidas que serão adotadas para assegurar o retorno da inflação aos limites estabelecidos e o prazo para o qual se espera que as providências produzam efeito.
A última vez que houve descumprimento da meta foi em 2003, quando a inflação medida pelo IPCA chegou a 9,3%. Naquele ano, o limite superior da meta era de 6,5%, com centro em 4%.
Inflação
Os indicadores dão sinais de que a inflação vai ceder, mas somente a partir de 2009. Por isso, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a trajetória de aumento gradual da taxa básica de juros, a Selic, em 0,5 ponto percentual neste ano. A estimativa é dos economistas Roberto Padonvani, do banco WestLB, e Newton Rosa, da Sulamérica Investimentos. Atualmente, a Selic está em 12,25%.
A Selic, usada pelo Banco Central para controlar a inflação, é a taxa de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight), lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Depois que o Copom estabelece a taxa Selic, cabe à mesa de operações do mercado aberto do Banco Central manter a taxa diária próxima à meta.
- A atividade econômica deve dar uma desaceleração no segundo semestre - afirmou Newton Rosa. Para ele, a estratégia de ajuste gradudal é suficiente para conter as expectativas de alta dos preços. Na opinião de Newton Rosa, não há necessidade de um “choque”contra a inflação com aumento de 0,75 ponto percentual nos juros básicos na reunião destas terça e quarta-feiras do Copom.
Novo Limite
Na projeção do economista, a Selic deve fechar este ano em 14,25%, e chegar em 2009 em 15,25%, mantendo, então, o patamar por vários meses.
Para Padovani, neste ano o limite superior da meta de inflação de 6,5% deve ser rompido, mas em 2009 e 2010, o “risco inflacionário é menor”, com crescimento econômico abaixo do potencial e redução do ritmo de alta dos preços de commodities, o que tem gerado inflação no mundo. A expectativa do economista é de que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), feche o ano em 6,7%. Segundo o boletim Focus, analistas de mercado projetam a inflação neste ano em 6,53%.
Padovani afirma também que o principal instrumento para conter a inflação é o aumento da taxa básica de juros, mas o governo poderia também reduzir gastos. Para ele, a economia de recursos para formar o Fundo Soberano do Brasil reduz os gastos no curto prazo, mas o melhor seria abater dívida do que financiar despesas.
Para a Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento (Acrefi) e a ASB Financeira, que divulgaram nota conjunta, a “dosagem” do aumento dos juros deve ser maior - 0,75 ponto percentual. O motivo é a demanda interna aquecida, aumento do volume de crédito e dos preços do petróleo e grãos, o que pressiona a inflação. Para as instituições, deveria ser aplicada “uma vigorosa dose misturada de disciplina monetária e de controle fiscal”, com corte nos gastos correntes dos governos federal, estaduais e municipais.