A demanda doméstica por bens e serviços se apresenta “robusta”. Nesse cenário, os riscos para a trajetória de inflação estão essencialmente no mercado interno, derivados da possibilidade de maior expansão da demanda doméstica, com o esgotamento da margem de capacidade produtiva.
A avaliação consta da ata de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no último dia 9, e serviu de base para que o colegiado elevasse a taxa básica de juros, a Selic, de 9,50% ao ano para 10,25% ao ano.
Segundo o documento, divulgado nesta quinta-feira, o crescimento da procura por bens e serviços deve-se “em grande parte” aos fatores de estímulo, como o aumento da renda e a expansão do crédito.
– Além disso, estímulos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres e deverão contribuir para a consolidação da expansão da atividade e, consequentemente, para a redução de qualquer margem residual de ociosidade dos fatores produtivos.
Entretanto, o Copom observa que se contrapõem a esses efeitos a reversão de parcela substancial das iniciativas tomadas durante a recente crise financeira internacional, o aumento da Selic e o agravamento da crise fiscal de países europeus.
– Esses elementos são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas –, destaca o documento.
O Copom eleva a Selic quando considera que a economia está muito aquecida e a inflação está em alta. De acordo com a ata, os sinais de aquecimento da economia se manifestam, por exemplo, na trajetória e na expectativa de inflação, nos indícios de escassez de mão-de-obra e na elevação dos custos dos insumos.
A ata também destaca que as projeções de inflação mostram ligeira deterioração.
– O Copom considera que essa deterioração deva ser contida e, para tanto, precisam ser revertidos os sinais de persistência do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas, que, em última instância, tendem a aumentar o risco para a dinâmica inflacionária.
Nessa circunstância, reforça a ata, a Selic tinha que ser ajustada para contribuir com “a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta” e evitar que “pressões de preços originalmente isoladas determinem uma deterioração persistente do cenário prospectivo para a inflação”.