Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Copom não surpreende, aumenta taxa de juros e sinaliza mais aperto

Quarta, 08 de Junho de 2011 às 14:55, por: CdB
Copom não surpreende, aumenta taxa de juros e sinaliza mais aperto

Com a decisão, Selic foi a 12,25% ao ano, na quarta alta seguida e no nível mais alto em mais de dois anos

Por: Vitor Nuzzi, Rede Brasil Atual

Publicado em 08/06/2011, 20:35

Última atualização às 20:47

Tweet

São Paulo – Sem surpresas, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu na noite desta quarta-feira (8) elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, a Selic, para 12,25% ao ano . Foi a quarta alta seguida, todas já com Alexandre Tombini à frente do BC. A taxa está agora em seu nível mais alto desde o início de 2009, quando, durante a crise econômica internacional, chegava a 12,75%. Nas quatro últimas reuniões, a Selic subiu em 1,5 ponto.

 A decisão foi unânime e sem viés. Na nota divulgada ao final da reunião, o Copom sinaliza que o aperto deverá continuar, ao falar em "processo de ajuste gradual" das condições monetárias. "Considerandoo balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incertode moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade queenvolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementaçãode ajustes das condições monetárias por um período suficientementeprolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir aconvergência da inflação para a meta em 2012", afirma.

Entre cenários que vão dos riscos do crescimento ao desaquecimento excessivo, ainda prevalece a tese de que é preciso moderar o ritmo da economia. Na visão do Copom, ainda há dúvida sobre o "ritmo de moderação" da atividade doméstica. Quanto à inflação, nas últimas semanas o mercado tem reduzido suas projeções para este ano, com as preocupações já se voltando para 2012.

A primeira reação negativa, como costuma ocorrer, foi do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias (Ciesp), Paulo Skaf. "Depois de cinco semanas de queda consecutiva na expectativa de inflação, da queda de 3,8% na produção da indústria paulista e de 2,1% da brasileira de abril ante março, eu gostaria de saber por que os juros ainda subiram", questionou. "Tenho certeza que a sociedade também não compreendeu as razões desse aumento inadequado e oportuno, que prejudica todo o país."

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), também criticou a decisão do Copom que considerou "um grave equívoco", com reflexos negativos na criação do emprego e aumento do gasto público. "O aumento (da taxa básica) é desnecessário, visto que ocenário econômico está mais favorável, com sinais evidentes de controleinflacionário. Infelizmente, o impacto recai unicamente no setorprodutivo, afetando negativamente a atividade e o emprego", afirmou, em nota.

 

 

Tags:
Edições digital e impressa