Rio de Janeiro, 02 de Novembro de 2026

Copom elevou juros por temor que inflação se alastre

Aumentou a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a se disseminar por toda a economia brasileira. A avaliação está na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira. (Leia Mais)

Quinta, 24 de Abril de 2008 às 08:04, por: CdB

Aumentou a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a se disseminar por toda a economia brasileira. A avaliação está na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta quinta-feira. Na reunião, realizada nos dias 15 e 16 deste mês, o comitê decidiu elevar a taxa básica de juros, a Selic, de 11,25% para 11,75%, em uma atuação considerada pelo BC preventiva contra a inflação. Para a autoridade monetária, é importante atuar no estágio inicial da inflação, antes que se dissemine por toda a economia.

O comitê reiterou que há um descompasso entre oferta e procura por bens e serviços. “O aquecimento da demanda e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem ensejar aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor”.

Para o colegiado, esse repasse e a generalização de pressões inflacionárias dependem das expectativas dos agentes econômicos para a inflação. De acordo com o comitê, nas últimas semanas essas expectativas aumentaram.

“A prudência passa a ter papel ainda mais importante, nesse processo, em momentos como o atual, caracterizado pela deterioração da dinâmica inflacionária corrente e esperada. Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da implementação da política monetária”, informa o documento.

O comitê também ressaltou que continuará a acompanhar atentamente a evolução e expecativas de inflação e estará “pronto a ajustar a postura de política monetária de forma a evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em reajustes persistentes ou generalizados de preços”.

A expectatvia do BC é de que nos próximos meses o crescimento do crédito e a expansão da massa salarial real devem continuar impulsionando a atividade econômica. Outros fatores citados que sustentam a demanda são os efeitos das “transferências governamentais e de outros impulsos fiscais esperados para este e para os próximos trimestres".

“Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta os nítidos sinais de demanda aquecida e o fato de que as decisões de política monetária terão impactos concentrados no segundo semestre de 2008 e em 2009”.

O Copom assinala ainda que os investimentos para ampliar a capacidade produtiva são importantes para atender à demanda, mas ainda precisam se cosolidar. "A contribuição do setor externo para um cenário inflacionário benigno, diante do forte ritmo de expansão da demanda doméstica, parece estar se tornando menos efetiva, em um momento no qual os efeitos do investimento sobre a capacidade produtiva da economia ainda precisam se consolidar"

Preço da energia

O Copom, na ata, também reduziu a projeção para o reajuste do preço da eletricidade em 2008. A projeção de reajuste da tarifa de telefonia fixa permaneceu em 3,5% para este ano. No caso do conjunto de preços administrados, também foi mantida a expectativa de alta de 4,0%. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítisca (IBGE), correspondeu a 30,09% do total do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março.

Para 2009, também foi mantida a projeção de reajuste de 4,5% para os itens administrados por contrato e monitorados.

O Comitê também não prevê aumento dos preços da gasolina em 2008, apesar das incertezas sobre a trajetória de preços do petróleo, mas ressalta que a alta "consistente" dos preços internacionais do petróleo reflete na cadeia produtiva do setor, como a petroquímica, "além de levar os agentes econômicos a esperarem por inflação".

Segundo o Copom, os preços de outras commodities (mercadorias de cotação internacional) especialmente grãos,

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