O juro básico da economia brasileira que fechará 2004 será divulgado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira. Esse é o evento mais importante da semana em que autoridades monetárias e mercado financeiro entram em contagem regressiva para os balanços do ano e o balizamento de projeções macroeconômicas para 2005.
O arremate das estimativas para a construção de cenários alternativos para o novo ano depende, contudo, da divulgação pelo Banco Central do Relatório de Inflação, prevista para o dia 30.
O mercado vai antecipando o possível e já fechou aposta em aumento de 0,50 ponto percentual da Selic. Os prognósticos indicam avanço a 17,75% ao ano.
A alta da Selic na semana que vem será a quarta consecutiva, patrocinada por um Copom vigilante com a expectativa inflacionária para 2005 que tende a se acomodar ao redor de 5,80% - ainda divorciada, portanto, do alvo de 5,1% fixado pelo BC.
Confirmada a projeção majoritária das instituições, a Selic terá subido 1,25 ponto percentual de janeiro a dezembro. E, acreditam analistas, sem indicação de retomada do processo de corte interrompido pelo BC em meados de maio.
O Tesouro Nacional fará o último resgate de títulos federais deste ano, também na quarta-feira e pagará - basicamente aos bancos - R$ 12,2 bilhões de LFT uma semana antes de promover leilões de venda de papéis que encerrarão a fatura de 2004.
A partir do dia 21 qualquer movimentação do Tesouro no mercado aberto terá como alvo a rolagem de prefixadas LTN que vencem em 4 de janeiro. O resgate é alto, R$ 31,4 bilhões, mas já foi muito maior. Em cerca de um mês, Tesouro e BC reduziram essa posição em 10 bilhões de reais.
As orquestradas operações de recompra antecipada desses papéis da virada do ano pelo Tesouro e de troca do mesmo vencimento por LTN três meses mais longa pelo BC fez o serviço - reduziu a concentração de giro da dívida interna no início de 2005.
Parte do vencimento de 4 de janeiro virou moeda como efeito da recompra semanal do Tesouro; parte foi empurrado para a virada do primeiro para o segundo trimestre. O estoque de LTN em mercado para resgate em 1º de abril já supera R$ 51 bilhões - cifra que corresponde ao dobro do valor próximo a R$ 25 bilhões considerado volume adequado para vencimento em um único dia na avaliação do Tesouro.
Liquidez gerenciada
Mas esse novo encastelamento de título público não preocupa as autoridades monetárias ou o mercado, porque as operações de venda definitiva de títulos de curto prazo da carteira do BC está incorporada à rotina dos bancos.
Essas operações, lançadas em 5 de novembro, passaram a ser reprisadas semanalmente. O objetivo do BC é gerenciar a perspectiva de liquidez futura. Indiretamente, porém, ocorreu um pequeno alongamento do prazo da dívida pública prefixada.
Outras operações - venda de títulos federais atreladas a compromissos de recompra com prazos de 1 e 3 meses - feitas há mais tempo pelo BC para manter a disponibilidade de moeda sob controle já tiraram das reservas bancárias R$ 27 bilhões. Esse dinheiro deixou o curtíssimo prazo e retornará aos bancos entre 5 de janeiro e 9 de março de 2005.
Economia Real
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também terá uma semana movimentada. O IBGE divulgará quatro pesquisas que podem interferir nas expectativas de bancos e consultorias sobre a taxa de juro.
Estão previstas pesquisas de produção industrial regional, detalhando o resultado agregado que mostrou queda de 0,4 por cento da produção brasileira em outubro; desempenho do comércio também em outubro; levantamento dos estoques industriais no primeiro semestre deste ano; e comportamento do emprego e salário também na indústria em outubro.