Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Copom e cena política levam dólar ao maior nível em 13 meses

Em uma sessão marcada por extrema volatilidade e nervosismo, o dólar fechou em forte alta nesta quinta-feira e atingiu seu maior patamar desde o dia 10 de abril do ano passado, a R$3,212. (Leia Mais)

Quinta, 20 de Maio de 2004 às 14:57, por: CdB

Em uma sessão marcada por extrema volatilidade e nervosismo, o dólar fechou em forte alta nesta quinta-feira e atingiu seu maior patamar desde o dia 10 de abril do ano passado, a 3,212 reais.

O cenário externo ainda desfavorável em conjunto com a manutenção do juro básico brasileiro em 16 por cento ao ano, na véspera, foram os principais fatores apontados por operadores para a pressão sobre o câmbio.

O cenário político também foi citado como motivo de preocupação pelo mercado, que viu na rejeição da proposta de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado pelos deputados mais uma derrota do governo.

A moeda norte-americana encerrou em alta de 2,49 por cento em relação à véspera, após subir 2,9 por cento na máxima do dia, cotada a 3,225 reais.

"O mercado vem piorando em uma velocidade impressionante", disse Jorge Kattar, operador de câmbio do Rabobank em São Paulo.

"A pólvora que acelerou esse processo de piora, já que ontem a tarde o mercado já vinha ruim, com o petróleo de volta aos 41 dólares por barril e a piora do mercado de dívida, foi a decisão do Copom. Se não tivesse todo esse cenário, talvez o Copom não tivesse sido um evento tão importante, mas acabou se tornando", explicou.

Em uma decisão dividida, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juro em 16 por cento ao ano na quarta-feira, citando preocupação com a atual volatilidade dos mercados.

Nesta tarde, o prêmio de risco Brasil, medido pelo JP Morgan subia 57 pontos, para 754 pontos-básicos acima dos títulos norte-americanos.

"Além disso, ainda tem esses ruídos políticos, o que ajudou a acelerar a piora, com mais uma forte alta dos juros e a disparada do dólar", acrescentou Kattar, explicando que, com a alta dos contratos de juro futuro na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), muitos investidores acabaram fugindo para o dólar.

"Além da piora de cenário, essa pressão no dólar também é efeito de quem estava posicionado em juro e não conseguiu se zerar. Com isso, esses investidores acabam indo para o dólar para se cobrir", disse.

O contrato de Depósito Interfinanceiro mais negociado da bolsa, o DI para janeiro de 2005, fechou a 17,80 por cento ao ano, ante os 17,04 por cento ao ano da véspera. Na máxima do dia, este contrato chegou a ser negociado a 18,32 por cento ao ano.

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