O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) considera que qualquer redução da taxa básica de juros, Selic, adicional ao que já ocorreu neste ano deverá ser feita de maneira “parcimoniosa”. A informação consta da ata da última reunião do comitê, divulgada nesta quinta-feira, pelo BC.
"A despeito de haver margem residual para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas", informa o documento.
Neste ano, os juros básicos foram reduzidos em 1 ponto percentual, em janeiro, mais 1,5 ponto percentual, em março, novamente 1 ponto percentual, em abril, e por fim mais 1 ponto percentual na reunião do Copom realizada neste mês. Atualmente a Selic está em 9,25% ao ano e ficou pela primeira vez em um dígito. A decisão de reduzir a taxa não foi unânime. Seis diretores sugeriram a redução de 1 ponto percentual e dois votaram pelo corte de 0,75 ponto percentual.
Segundo a ata, o comitê avalia que as decisões sobre a taxa básica "têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado desde janeiro, cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo". “Sendo assim, alguns diretores consideraram que seria apropriado, nestas circunstâncias, reduzir imediatamente o ritmo de flexibilização monetária, implementando de forma mais suave a parte remanescente do processo de ajuste”. Mas a maioria optou por manter o ritmo de cortes da Selic em 1 ponto percentual.
O Copom ressaltou, por outro lado, que houve “convergência” dos membros do comitê quanto a expectativas de mais cortes de juros, o que depende de projeções e da trajetória da inflação. “O Copom entende, também, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia em um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo”.
A ata lembra que as perspectivas de inflação para 2009 e 2010 estão abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 4,5%. A meta tem margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Tarifas
O Copom, anda na ata, reduziu a projeção para o reajuste da tarifa de eletricidade de 6,3% para 4,7% neste ano. Para a telefonia fixa, foi mantida a previsão de aumento das tarifas de 5%, assim como não foi alterada a estimativa de que não haverá reajustes para o botijão de gás e da gasolina, neste ano.
No caso dos preços administrados em 2009, o comitê reduziu a previsão de reajuste de 5% para 4,8%. Esse conjunto de preços, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), correspondeu a 29,55% do total do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio. Para 2010, a projeção foi reduzida de 4,8% para 4,5%.
Os preços administrados são os valores cobrados por serviços monitorados: combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros.
Efeito concentrado
As decisões do Copom de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, “terão impactos concentrados nos meses finais de 2009 e, particularmente, em 2010”. A constatação também consta da ata sobre a última reunião, quando foi decidido reduzir os juros básicos de 10,25% para 9,25% ao ano. Neste ano, os juros básicos já caíram 4,5 pontos percentuais.
O Copom vê sinais de recuperação nas perspectivas para a atividade econômica do país, ainda que os dados sobre a indústria continuem em parte refletindo "processo de redução de estoques e acomodação da demanda externa”. O comitê também considera a recuperação do crédito, principalmente para as famílias. “A severidade da crise internacional exerceu influência negativa sobre a confiança dos consumidores e dos empresários, mas também nesse caso há sinais de recuperação”.
O comitê considera que a retomada da atividade econômica depende da renda dos brasileiros, mas também será “beneficiada” pela melhora das condições financeiras. Na ata, o comitê também avalia que a acomodação da demanda por produtos e serviços doméstica levou à redução do risco de repasse de preços altos do atacado para os preços ao consumidor.