Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Copom considera 'modestas' as medidas para conter inflação

Quinta, 23 de Dezembro de 2004 às 08:52, por: CdB

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) considera "relativamente modestas" as expectativas dos analistas e técnicos do mercado financeiro para a inflação para 2005. Os técnicos do BC avaliam que, mesmo com a estimativa de taxas menores no ano que vem, de 5,90% para 5,78%, desde a reunião de novembro do Copom, as expectativas do mercado financeiro para o IPCA em 2004 se deterioraram de 7,19% para 7,38%.

Segundo a ata da última reunião do Copom, quando a taxa básica de juros foi elevada, de 17,25% para 17,75% ao ano, "essa redução para 2005 pode ser considerada relativamente modesta tendo em vista os desenvolvimentos recentes que poderiam contribuir para arrefecer as pressões inflacionárias no próximo ano". São citados como exemplo, "os sinais de acomodação no ritmo de crescimento da economia, a apreciação da taxa de câmbio, a queda nos preços internacionais de importantes commodities e sinalização inequívoca de uma postura mais restritiva de política monetária ao longo dos últimos meses", concluíram os técnicos.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reafirma o compromisso do Banco Central de não interferir no mercado financeiro com a finalidade de estabelecer um patamar para o dólar. Segundo o documento, o Banco Central, no início de dezembro, retomou a compra de dólares para reforçar as reservas internacionais do país e não para alcançar nenhuma meta quantitativa nesse processo.

A ata registra, ainda, que a política de compra de divisas continuará sendo pautada primordialmente pelas condições de liquidez existentes e terá como objetivo não adicionar volatilidade ao mercado cambial nem interferir na tendência de flutuação da taxa de câmbio. Os técnicos do BC enfatizam também que esse tipo de ação tem influência na redução da parcela da dívida pública corrigida pelo dólar.

"O processo que está tendo continuidade deve ser entendido, portanto, como um esforço de recomposição de reservas no contexto de um regime de metas de inflação com câmbio flutuante. Não deve ser confundido com o estabelecimento de outras metas para o Banco Central, como a fixação de tetos ou pisos para a taxa de câmbio", cita a ata.

Ao justificar a elevação na taxa básica de juros, de 17,25% para 17,75% ao ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) considerou que os núcleos de inflação medidos pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) voltaram a crescer em novembro, embora tenha havido ligeiro recuo em relação aos núcleos do IPCA-15. A inflação medida pelo IPCA-15 acusou variação de 0,84% em dezembro, com elevação de 0,21 ponto percentual em relação aos 0,63% da taxa de novembro. O IPCA-15 é um cálculo prévio ao IPCA, que é fechado no fim do mês e é utilizado pelo governo para definir as metas de inflação.

"Também a variação acumulada dos núcleos em 12 meses ficou acima do IPCA pleno no mesmo período de cálculo. Tal como em meses anteriores, os núcleos permanecem em níveis elevados, incompatíveis com a trajetória das metas de inflação de médio prazo", diz a ata da reunião divulgada nesta quinta-feira em Brasília.

 

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