O Banco Central adotou uma condição mais cautelosa daqui para a frente diante da taxa de juros e, com isso, espera reduzir o risco de reversão abrupta da política monetária no futuro, apontou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento, divulgado nesta quinta-feira, mostrou o que alguns membros do Copom já haviam respaldo para manter a Selic na reunião deste mês, mas acabou prevalecendo o consenso de que havia espaço para uma redução residual.
"O Copom considera que uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro e, assim, para a recuperação consistente da economia ao longo dos próximos trimestres. O Copom avalia, adicionalmente, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo", destacou a ata.
No encontro da semana passada, o juro básico foi reduzido em 0,50 ponto percentual, para 8,75% ao ano.
Efeitos
Os efeitos das reduções da taxa de juros básicos (Selic) sobre a atividade econômica ainda não foram totalmente sentidos e “ficarão evidentes ao longo do tempo”, prossegue a avaliação do Copom. A ata informa que os membros do Copom consideraram que as decisões sobre a taxa básica “têm que levar em conta a magnitude do movimento total realizado desde janeiro”. Neste ano, os juros básicos foram reduzidos em cinco pontos percentuais.
Na ata, o colegiado do BC também voltou a destacar que há "defasagens importantes" entre as decisões de política monetária e seus efeitos sobre a atividade econômica e na inflação. Desde janeiro, o Copom cortou a taxa em 5 pontos percentuais. Apesar de terem subido, as projeções de inflação pelo cenário de referência do BC continuam abaixo da meta central de 4,5% em 2010 e ao redor dela este ano.
Na avaliação do Copom, a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas apresentem risco à trajetória dos preços é limitada.
"A despeito da elevação dos preços de commodities desde o início do ano, o efeito líquido da desaceleração global sobre a trajetória da inflação doméstica segue sendo, até o momento, predominantemente benigno", acrescentou a ata.
Estímulos
Ainda segundo a ata do Copom, os estímulos à atividade econômica por meio da ampliação de gastos do governo, de incentivos tributários e de reduções da taxa básica de juros (Selic), devem ser “cuidadosamente monitorados” e serão avaliados nas decisões futuras do Comitê. O documento também revela que as expectativas para a inflação em 2009, 2010 e 2011 continuam em patamar consistente com a trajetória de metas.
Além disso, desaceleração da economia global tem gerado pressões para baixo sobre os preços industriais no atacado. “Nesse ambiente, a política monetária pôde ser flexibilizada de maneira expressiva desde janeiro, sem por em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas”.
O Copom também considera que a demanda por produtos e serviços no país, depois de “longo período de expansão”, agora exerce “influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda”. Desde janeiro, os juros básicos foram reduzidos em cinco pontos percentuais.
Segundo o BC, essas reduções da Selic e os estímulos fiscais vão contribuir para a retomada da atividade econômica, afetada pela crise financeira internacional.