Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Copenhague chega ao último dia sem acordo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, juntou-se na sexta-feira a outros líderes mundiais na complicada busca por um acordo climático global, no último dia da conferência da ONU em Copenhague. (Leia Mais)

Sexta, 18 de Dezembro de 2009 às 08:13, por: CdB

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, juntou-se na sexta-feira a outros líderes mundiais na complicada busca por um acordo climático global, no último dia da conferência da ONU em Copenhague.

Negociadores de 193 países passaram a noite trabalhando e chegaram a consensos a respeito de financiamento para o combate à mudança climática e a um limite para a elevação da temperatura mundial. Ainda não há perspectiva de acordo, no entanto, sobre os níveis de reduções para as emissões de gases do efeito estufa.

Um texto-base propõe um fundo de US$ 100 bilhões por ano até 2020 para ajudar os países pobres a lidarem com a mudança climática, e busca limitar o aquecimento a 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industriais.

Mas ainda há grandes divergências, e Andreas Carlgren, ministro de Meio Ambiente da Suécia, país que preside a União Europeia neste semestre, disse que só China e EUA, sendo os dois maiores poluidores do mundo, podem destravar o acordo.

– Há profundas diferenças de opiniões e visões sobre como iremos resolver isso. Vamos tentar dar o nosso melhor, até os últimos minutos desta conferência – disse o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

Obama chegou na manhã de sexta-feira e iria se reunir reservadamente com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao.

– Ao longo de todo o processo o verdadeiro problema tem sido por um lado os Estados Unidos, que não conseguiram prover (soluções) suficientemente, por outro a China, que proveu menos. E eles têm realmente bloqueado repetidamente o processo, seguidos por um grupo de Estados petroleiros. Essa é a verdadeira diferença, o verdadeiro confronto por detrás disso –afirmou Carlgren.

O objetivo da conferência é definir as bases de um novo tratado para evitar os piores efeitos da mudança climática, como secas, inundações, elevação dos mares e extinção de espécies, em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. O evento deve terminar, na melhor das hipóteses, com um acordo político, que servirá de base para um tratado juridicamente vinculante a ser discutido em 2010.

Ao longo de dois anos de negociações --inclusive durante a conferência de Copenhague, que começou no dia 7-- houve profundas divergências entre países ricos e pobres sobre quanto cada parte deveria reduzir nas suas emissões de gases do efeito estufa. Os países em desenvolvimento dizem que as nações industrializadas têm uma responsabilidade histórica de liderar o processo.

Os negociadores se puseram de acordo sobre uma proposta inicial que falava num limite de 2 graus centígrados para o aquecimento em comparação ao nível pré-industrial. Segundo cientistas, esse é o teto para que o mundo evite os piores impactos da mudança climática.

A ajuda para que os países em desenvolvimento se adaptem às mudanças e limitem suas emissões deve ser de pelo menos US$ 100 bilhões por ano até 2020, mas pode incluir outros US$ 30 bilhões anuais para os países menos desenvolvidos.

Mas as negociações mantidas durante a noite terminaram, já de manhã, sem acordo sobre o elemento central do futuro tratado --os prazos e níveis da redução das emissões.

– Ainda não chegamos lá, está confuso – disse um delegado europeu.

– A situação é desesperadora – resumiu um delegado indiano.

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