Mané Garrincha, o maior ídolo do futebol brasileiro de todos os tempos
O que era protesto virou torcida. A Copa do Mundo no Brasil transformou-se em uma febre, por todo o país, há pouco mais de dez dias. Os brasileiros passaram da rejeição à adesão total ao torneio, segundo constatou o aplicativo para internet Apita Brasil. A plataforma digital reúne e interpreta a opinião do brasileiro sobre o evento a partir dos comentários públicos feitos nas principais redes sociais, como Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e Google+. Inspirado no Causa Brasil, um portal de consulta da mídia, de governantes e da população em geral para interpretação da evolução das causas por trás das passeatas de 2013, o Apita Brasil mediu também a reação dos brasileiros que, há cerca de um mês, chegaram a lançar o movimento Não Vai Ter Copa que, evidentemente, fracassou de forma retumbante.
Antes do início da competição, 86% dos comentários dos internautas nas redes sociais eram negativos, principalmente sobre a falta de organização na Copa. Apenas 14% apoiavam a competição. Num período de dez dias, 65% das manifestações se tornaram positivas usando expressões como #euapoioacopa ou #vaitercopasim.
O sentimento do brasileiro, segundo a correspondente do Correio do Brasil, em Paris, Marilza de Melo Foucher, em recente artigo, é o de que "na certa, esta Copa contribuirá diretamente para acelerar investimentos associados ao bem-estar da população, bem como impulsionar a melhoria das políticas públicas. Vamos torcer para que o Brasil ganhe esta Copa e que seja também campeão na luta contra as desigualdades sociais. Os que querem denegrir a imagem do Brasil e apostam na violência e no caos serão, certamente, derrotados" previu.
A presidenta Dilma Rousseff, também segue nessa linha. Em artigo divulgado neste domingo, no Blog do Planalto, Dilma lembrou que a seleção brasileira está acima de governos, de partidos e de interesses de qualquer grupo. Para ela, a seleção representa a nossa nacionalidade. “Está acima de governos, de partidos e de interesses de qualquer grupo. Ontem, hoje e sempre, o povo brasileiro ama e confia em sua seleção”. A presidenta lembrou que estava na cadeia em 1970, ano em que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial. “Naquela época, havia segmentos que diziam: 'Se você torcer pelo Brasil, você estará fortalecendo a ditadura'. Isso era uma sandice. Para mim, o dilema nunca existiu”.
Dilma lembrou ainda que, naquela época, muitas pessoas que faziam oposição ao regime militar começaram a levantar a questão de que os opositores fortaleceriam a ditadura se torcessem pela seleção. “Eram muitas pessoas, no início. Elas foram diminuindo progressivamente. Até que não sobrou ninguém. Com o decorrer dos jogos, todos os que estavam na cadeia e os que estavam fora torceram de forma apaixonada pela seleção brasileira.”
“Vivíamos sob uma ditadura. Não havia direito de manifestação, direito de organização, direito à divergência. Havia tortura, perseguição e repressão. Mas essa nunca foi a questão. Eu e as minhas companheiras de cela nunca tivemos dúvidas e todas torcemos pelo Brasil, porque o futebol está acima da política”, acrescentou.
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