A Copa das Confederações promete ser muito mais do que apenas um ensaio técnico para o Mundial. Serão oito seleções - inclusive Brasil e Argentina - jogando sem pressão durante duas semanas em cinco estádios alemães.
Para a Alemanha, que sediará a Copa do Mundo ano que vem, acertar nos detalhes de organização é evidentemente a prioridade. Os 16 jogos, de 15 a 29 de junho, acontecerão em Frankfurt, Leipzig, Hanover, Nuremberg e Colônia.
Mas a competição não será apenas um treino de luxo para a Copa, e o vencedor certamente terá de se empenhar bastante. A Fifa convidou para a Copa das Confederações os seis campeões continentais, mais a anfitriã Alemanha e a Argentina, por ser campeã olímpica.
A entidade apresenta o evento como um "festival de campeões", o que de certa forma resume o clima do torneio. Não há pressão, mas mesmo assim é necessário jogar sério.
A Alemanha, que está no grupo A ao lado de Argentina, Austrália e Tunísia, terá o dever de se acertar em campo e demonstra que vencer a Copa em casa não é impossível.
Mas, para as demais seleções, quase não existirá o habitual medo da derrota, embora o prêmio de 2,28 milhões de euros (2,78 milhões de dólares) e os aplausos do mundo sirvam de incentivo.
O Japão e a Argentina, que nesta semana garantiram vaga no Mundial, podem ficar especialmente sossegados com a Copa das Confederações. O Japão de Zico, que está no grupo B, ao lado de Brasil, Grécia e México, se classificou na quarta-feira para sua terceira Copa consecutiva, com uma vitória de 2 x 0 sobre a Coréia do Norte.
No mesmo dia, a Argentina passou pelo Brasil por 3 x 1 em Buenos Aires e também está matematicamente classificada. Mesmo com a derrota, o Brasil está bastante confiante em manter seu histórico como único país a disputar todas as Copas - faltam apenas três pontos em três jogos. A seleção desembarca na Alemanha sem Ronaldo, que pediu dispensa do torneio, mas terá o quarteto ofensivo formado por Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Kaká e Robinho.
A Grécia, surpresa ao vencer a Eurocopa do ano passado, está tendo dificuldades nas eliminatórias da Copa, especialmente após perder para a Ucrânia nesta semana. Mas o seu técnico, o alemão Otto Rehhagel, terá a alegria de estar em seu país.
A Austrália, que não joga uma Copa desde 1974 - também na Alemanha -- vai tentar causar boa impressão em um torneio no qual costuma se dar bem. A representante da Oceania fez a final de 1997 contra o Brasil - embora tenha sofrido uma goleada de 6 x 0 - e derrotou franceses e brasileiros no caminho para o terceiro lugar em 2001.
Mas a Austrália terá de melhorar muito para apagar o fraco desempenho do amistoso de quarta-feira contra a tradicional rival Nova Zelândia, em Londres. Os neozelandeses ganharam de 1 x 0, num jogo muito disputado.
Todos os times que participam agora estão de olho na Copa do Mundo de 2006, embora a Copa das Confederações também tenha seus próprios dramas. Todos esperam que não se repita a tragédia da última edição, há dois anos, quando o camaronês Marc-Viven Foe desabou em campo e morreu do coração no segundo tempo da semifinal contra a Colômbia.