Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Coordenador do curso de medicina da UFBA pede exoneração do cargo

Segunda, 05 de Maio de 2008 às 10:52, por: CdB

O coordenador do colegiado do curso de medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Antônio Natalino Manta Dantas, encaminhou hoje o pedido de exoneração do cargo ao diretor da Faculdade de Medicina, José Tavares Neto. De acordo com a assessoria de imprensa da UFBA, o pedido foi feito no dia 30 de abril. No entanto, devido ao feriado do Dia do Trabalho o pedido só pôde ser encaminhado nesta segunda-feira.

Depois que o curso de medicina da UFBA ficou entre os 17 piores do país no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), Dantas deu declarações polêmicas à imprensa. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o então coordenador disse que “o baixo rendimento dos alunos da faculdade no Enade se deve ao 'baixo QI' [quociente de inteligência] dos baianos”.

O Enade avalia o conhecimento dos alunos do primeiro e do último semestre de medicina. A nota varia de 1 a 5. O curso da UFBA obteve menção igual a 2, índice considerado baixo pelo Ministério da Educação (MEC). Para o professor, que é baiano, o corpo docente da faculdade é qualificado e não é a causa do resultado ruim. Ele ainda disse que, “o baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria”.

Na lista divulgada pelo Ministério de Educação na última terça-feira, os cursos de medicina das Universidades Federais do Pará, de Alagoas e do Amazonas também tiveram notas baixas. De acordo com a vice-reitora da Universidade Federal do Pará, Regina Feio, as declarações de Dantas foram infelizes.

— A gente como educador não pode afirmar que somente uma pessoa é culpada. É preciso fazer um diagnóstico para identificar os erros —, disse.

O MEC obriga as instituições de ensino superior que tiveram notas baixas a fazer um relatório que aponte medidas para sanar as deficiências identificadas. A reportagem da Agência Brasil procurou o professor, mas não obteve resposta.

A vice-reitora atribuiu o baixo rendimento do curso de medicina da Universidade Federal do Pará a um boicote dos alunos ao exame.

— Temos um bom projeto pedagógico, dependências aceitáveis e laboratórios importantes para a operacionalização do curso. Ainda estamos identificando os problemas. Já identificamos que houve um boicote dos alunos —, afirmou.

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