O coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Marinaldo Justino Trajano, afirma que o movimento indígena não precisa temer as ameaças do governador Ottomar Pinto (PTB) de retirar da terra indígena Raposa Serra do Sol todos os serviços prestados pelo governo estadual.
- O povo não pode ficar dependente de desmandos de políticos locais, nós temos direitos assegurados pela Constituição da República. Se isso acontecer, vamos brigar na Justiça e também tentar fazer convênios diretos com o governo federal - argumentou.
Marinaldo informou que há em Roraima 640 professores indígenas na rede estadual de ensino. Contou que, a exemplo do convênio firmado com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) desde 1996, o CIR poderia repassar diretamente a esses professores as verbas do Ministério da Educação. Hoje, há no estado 350 agentes indígenas de saúde.
- Nós somos parte de Roraima e queremos contribuir para o seu desenvolvimento. Com a homologação em forma contínua da Raposa Serra do Sol temos mais segurança para trabalhar - assegura.
A reserva de Raposa Serra do Sol, em Roraima, foi homologada na última sexta-feira. A demarcação em área contínua garante 1,74 milhão de hectares para os índios e exclui algumas áreas, como o núcleo urbano da sede do município de Uiramutã. Em protesto contra a homologação, o governador de Roraima, Ottomar Pinto, decretou luto oficial de sete dias e entrou com ação popular na Justiça Federal contra o decreto presidencial.