O coordenador da equipe responsável pelo esboço do Plano Nacional de Reforma Agrária, Plínio de Arruda Sampaio, detalhou nesta terça-feira, na Câmara, o programa e lamentou que o governo não possa assentar pelo menos um milhão de pessoas no país.
Ele discursou para os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra. Sampaio também é professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura.
Plínio Sampaio acredita que seria preciso assentar pelo menos 1 milhão de famílias para se ter um verdadeiro impacto no campo - mas explica que, como o governo não tinha recursos, por causa do superávit primário de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), a meta foi reduzida para 520 mil famílias em quatro anos.
- Fiquei aborrecido com a redução da meta, que foi calculada com o maior cuidado, verificando a existência de pessoas necessitadas e de terra abundante - disse.
Sampaio estima que 1 milhão de assentados poderiam gerar 3,5 milhões de empregos, "o equivalente a 35% da meta estabelecida na campanha do presidente Lula". "Se a elite brasileira novamente bloquear a reforma agrária e impedir que ela seja feita, essa mesma elite vai amargar, amanhã, uma situação colombiana", prevê o professor.