O Conselho de Segurança deve considerar o envio de monitores internacionais a Gaza quando Israel colocar em prática o seu plano de abandonar o território palestino, disse na sexta-feira uma importante autoridade da ONU.
Terje Roed-Larsen, coordenador especial da ONU para o processo de paz do Oriente Médio, disse ao Conselho de Segurança também que Israel deve fazer uma retirada ``total e completa'', e que depois disso o Conselho deve reconhecer formalmente o fim da ocupação na área.
Israel pretende retirar todas as suas tropas e os moradores de todas as suas 21 colônias judaicas na Faixa de Gaza até o final de 2005, mas vai continuar controlando o espaço aéreo, o litoral e as fronteiras da região até considerar que a Autoridade Palestina eliminou a atividade dos militantes.
Roed-Larsen disse que se Israel ``mantiver o controle sobre o território em Gaza -- ou o acesso internacional -- a ocupação continua, da mesma forma que continuarão, provavelmente, os atos violentos contra Israel. Isso derrotaria o propósito do plano de retirada''.
``A ocupação só vai terminar quando os palestinos conseguirem o controle sobre seus assuntos em Gaza, quando mantiverem suas vidas cotidianas sem serem objeto de controles israelenses e quando viverem livres do medo de mais uma incursão militar em suas cidades e aldeias'', disse ele.
Embora pareça que Israel não pretende encerrar completamente a ocupação por enquanto, Roed-Larsen disse em entrevista, mais tarde, que não é tarde para modificar os planos.
Na opinião dele, a presença internacional em Gaza seria útil, porque a retirada no atual clima de hostilidade e desconfiança ainda manteria a região como ``base de lançamento'' de ataques contra Israel.
Embora ele considere cedo para definir como seria a presença internacional, ele pediu ao Conselho de Segurança que seja ativo na coordenação da retirada, em nome da comunidade internacional, uma vez que as negociações diretas entre palestinos e israelenses parecem impossíveis.
Se for bem executada, a retirada ``pode trazer uma nova era de paz no Oriente Médio'', disse ele. Do contrário, ``levará a mais violência, possivelmente nos trazendo para um novo ponto baixo nos lúgubres anais da tragédia palestino-israelense''.