A demora na adoção de normas ambientais impede uma cooperação mais eficiente entre as nações para o desenvolvimento sustentável, disse nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Segundo ele, é preciso haver um novo impulso político para que se alcance uma efetiva cooperação internacional em relação à Convenção sobre Mudanças do Clima e ao Protocolo de Quioto.
— Serão necessários esforços adicionais de todos os países. O aumento da evidência científica sobre mudança do clima sublinha a necessidade de medidas eficazes e urgentes—, afirmou o ministro durante encontro que reúne, no Rio de Janeiro, ministros de Meio Ambiente e Relações Exteriores de 22 países. Eles discutem o aperfeiçoamento na governança ambiental internacional.
Amorim avalia que o aprofundamento das assimetrias no sistema internacional também gera dificuldades para o cumprimento de acordos na área ambiental, e que este é o momento para “explorar passos mais ousados em matéria institucional”. O ministro defendeu a criação de uma nova organização ou agência no sistema das Nações Unidas, baseada nos pilares ambiental, econômico e social. Segundo ele, essa nova organização teria responsabilidades normativas, de cooperação e de financiamento, considerando as necessidades específicas dos países em desenvolvimento, sobretudo no continente africano.
Amorim destacou iniciativas brasileiras que contribuem para o desenvolvimento sustentável, como o monitoramento por satélite do processo de desmatamento, através de uma parceria com a China. Segundo ele, essa medida foi fundamental para reduzir em cerca de 70% os índices de desmatamento nos últimos três anos.
O ministro citou, ainda, o esforço do país para promover o uso de fontes de energia limpa e renovável, especialmente o biocombustível.
— O Brasil não tem poupado esforços na difusão dos benefícios que os biocombustíveis podem trazer —, ressaltou.
Ele também destacou que a participação do Ministério das Relações Exteriores no evento mostra envolvimento do governo brasileiro com o que, segundo ele, é uma “questão de Estado”.
— Não é uma preocupação só dos ambientalistas. Diz respeito a todo o desenvolvimento e é, portanto, uma questão maior dentro do plano das nossas relações internacionais —, disse.
Cooperação internacional pelo meio ambiente depende de impulso político, diz Celso Amorim
Segunda, 03 de Setembro de 2007 às 13:30, por: CdB