Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Convite russo ao Hamas é criticado por Israel

Israel criticou o plano da Rússia de convidar líderes do Hamas para visitar Moscou, afirmando nesta sexta-feira que a manobra minava os esforços feitos pela comunidade internacional para que o grupo militante reconheça o direito do Estado judaico de existir e para que renuncie à violência após vencer eleições parlamentares. (Leia Mais)

Sexta, 10 de Fevereiro de 2006 às 08:43, por: CdB

Israel criticou o plano da Rússia de convidar líderes do Hamas para visitar Moscou, afirmando nesta sexta-feira que a manobra minava os esforços feitos pela comunidade internacional para que o grupo militante reconheça o direito do Estado judaico de existir e para que renuncie à violência após vencer eleições parlamentares. Em declarações dadas à Rádio Israel, o ministro de gabinete Meir Sheetrit acusou o presidente russo, Vladimir Putin, de "esfaquear Israel pelas costas" quando disse que pretendia convidar líderes do grupo militante para uma visita.

Segundo autoridades israelenses, a Rússia pode influenciar a opinião de outros países a respeito de manter ou não contato com o Hamas.

- Qualquer fraqueza resultará em um efeito negativo -- não apenas para Israel, mas também para o povo palestino e para a comunidade internacional - afirmou a ministra das Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, em entrevista concedida ao jornal New York Times.

Importantes autoridades do Estado judaico afirmaram que o país havia pedido uma explicação sobre o assunto ao embaixador russo em território israelense e a outras lideranças da Rússia.

- Isso não é apenas um tapa na cara de Israel. É um tapa na cara dos países ocidentais. Estamos esperando por uma explicação - disse uma autoridade israelense, que não quis ter sua identidade revelada porque as negociações com os russos ainda estavam acontecendo.

O governo do presidente norte-americano, George W. Bush, também pediu que os russos expliquem a declaração de Putin. O Hamas, considerado uma organização terrorista pelos EUA, venceu com folga o tradicional grupo Fatah nas eleições de 25 de janeiro. Israel defende que nenhum governo deve manter contatos com o Hamas enquanto o grupo não reconhecer o Estado judaico e não renunciar às armas. O país descartou a possibilidade de negociar com o grupo, responsável por mais de 60 atentados suicidas realizados contra israelenses desde 2000.

Ismail Haniyeh, uma importante autoridade do Hamas, disse que líderes do grupo, cujos estatutos defendem a destruição de Israel, "ficariam muito satisfeitos" com uma visita à Rússia se Putin apresentar um convite formal. Em um encontro realizado em Londres no dia 30 de janeiro, representantes dos quatro mediadores para o processo de paz na região (EUA, Rússia, União Européia e Organização das Nações Unidas) disseram que os palestinos poderiam perder a ajuda internacional enviada atualmente se o Hamas não mudasse de postura.

O grupo militante rejeita as pressões.

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