As investigações sobre a rebelião que terminou com a morte de 25 presos da cadeia pública de Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, podem mudar de rumo a partir desta segunda-feira. Uma análise mais detalhada das celas mostrou que o motim e a conseqüente agressão aos presos da cela oito podem ter partido da cela onze, e não da cela nove como os próprios policiais da cadeia vinham afirmando até agora. Isso mostra que o indiciamento dos presos da cela nove por homicídio foi, no mínimo, precipitado e indica que alguma coisa pode estar sendo encoberta.
No sábado pela manhã, os deputados da CPI do Sistema Carcerário e os policiais corregedores que assumiram o caso fizeram uma visita não programada à carceragem, que está temporariamente desativada, e interrogaram dois policiais que ainda não haviam sido ouvidos. O interrogatório surpresa trouxe novidades à investigação, já que revelou uma grave omissão por parte do delegado responsável pela cadeia e dos detetives que estavam de plantão no momento do incidente.
Nenhum deles havia revelado que dois presos foram encontrados acorrentados a uma grade que separa o corredor das celas. A omissão transforma os dois detentos em testemunhas-chave para elucidação do caso. Segundo os deputados da CPI carcerária, há várias contradições no depoimento dos policiais.
Na tarde desta segunda-feira, mais um grupo, com cerca de 20 familiares de presos mortos, deve chegar a Belo Horizonte. Quatro dos 25 presos, dentre eles Cleverson Alexandre da Cruz, suposto chefe de uma das gangues e pivô do incidente, ainda não foram identificados, o que só vai acontecer por meio do exame de DNA.