Rio de Janeiro, 07 de Outubro de 2026

Contra guerras e violações sexuais, mulheres se reúnem em encontro na Colômbia

Segunda, 01 de Agosto de 2011 às 11:38, por: CdB

A 15ª ediçãodo Encontro Internacional de Mulheres de Negro "Corpos e territórios. Semguerras nem violência” ocorrerá, pela primeira vez, em um país da AméricaLatina, a Colômbia, que vivencia conflito armado há 60 anos. O evento serárealizado de 15 a 20 de agosto, em Bogotá.

Promovidopela Rede Internacional de Mulheres de Negro e, nesta edição, junto àorganização Rota Pacífica das Mulheres da Colômbia, contará com a participaçãode 80 ativistas oriundas de Bélgica, Espanha, Estados Unidos, Índia, Israel,Itália, Nepal, Palestina, Sérvia, Tunísia e outros países da América Latina.

Asmilitantes informam que o foco do encontro é dar visibilidade e denunciar àopinião pública as várias formas de violência sofridas pelas mulheres emdecorrência da guerra e da militarização. A partir disso, pretendem formularpautas de trabalho com o objetivo de buscar a paz, promover respeito aos direitosdas mulheres, mundialmente, e cobrar cumprimento das normas do DireitoInternacional Humanitário.

Aprogramação do evento consiste em conferências, oficinas de discussão eplenárias por meio das quais as mulheres irão discutir a oposição amilitarização como política de segurança, as perspectivas feministas acerca dosconflitos e das guerras atuais, a violência e opressão sexual e os desafiospara as Mulheres de Negro.

Emconvocatória ao encontro, a Rede de Mulheres de Negro alerta que "na medida queo conflito interno continue, as violências contra as mulheres no âmbito públicoe privado se exacerbarão e será impossível proteger, recompor, restituir ereparar integralmente as mulheres vítimas das violências”.

Segundo a organização, 6% do Produto Interno Bruto (PIB) colombiano é gasto pelo governo noconflito que já dura quase seis décadas e 70 mil pessoas morreram nos últimos20 anos em consequência da guerra, além de deslocamentos forçados, desapariçõese recrutamento de entre 8 mil e 13 mil crianças. Frente a isso, defendem uma"solução negociada do conflito armado como um imperativo ético e político”.

A inscrição no 15º Encontro Internacional de Mulheres de Negro pode ser feita no link http://www.encuentromujeresdenegro.org/home.html. Mais informações com a Rota Pacífica dasMulheres da Colômbia, pelos telefones (57+1) 222 91 45 – (57+1) 222 91 46.

Violações

De acordo com relatóriopublicado em dezembro de 2010 pelas ONGs Oxfam, Casa da Mulher, Sisma Mulher,Coletivo de Advogados José Alvear Restrepo e outras, entre 2001 e 2009 cerca de489.687 colombianas foram vítimas de violência sexual, o que significa 17,58%da população feminina. A situação é atribuída ao conflito interno, pois oscorpos das mulheres são usados como arma de guerra.

94mil mulheres foram violadas, 50 mil tiveram gravidez ou aborto forçado, 175 milsofreram assédio sexual, 48 mil foram obrigadas a fazer trabalhos domésticos ehomens armados regularam a vida social de 327 mil mulheres.

Emtodo o mundo, há aproximadamente 28 conflitos armados, 19 deles com mais de 20anos de duração. A diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Mulher(Unifem, na sigla em inglês), Noeleen Heyzer, explica como as mulheres setornam vítimas durante as guerras.

"Aviolência contra as mulheres é usada como arma para humilhá-las, a suasfamílias, seus parceiros, suas comunidades. Sem importar a que bando pertencem,as mulheres se converteram nas grandes vítimas da guerra e nas grandesconstrutoras da paz”, disse.

Em geral, as mulheres são assassinadas,violadas, engravidadas à força, obrigadas a se prostituir para comprar comida,torturadas, mutiladas e utilizadas como escudos humanos. Em alguns casos, comoIraque e República do Congo, são contagiadas de propósito com o vírus HIV.

Na Palestina, 10% das mulheres tornaram-seviúvas e tiveram de assumir o lar sozinhas, segundo a pesquisadora Soraya Misleh,em entrevista ao site operamundi.com. Bem pior do que isso, as mulheres sofremmuitas ameaças de violência sexual e algumas são obrigadas a dar à luz noscheckpoints (postos de controle da ocupação militar), impedidas de prosseguircaminho até maternidades. De acordo com Soraya, até 2007, a ONU divulgou que 70gestantes sofreram essa violação. Com isso, 35 bebês e cinco mulheres morreram.

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