Por Liga Bolchevique Internacionalista 27/06/2011 às 23:22
Sem o menor compromisso de parecer "simpáticos", nós comunistas afirmamos que não há o menor avanço progressista e de classe nestes "eventos gays" ultrabadalados pela mídia capitalista, que servem para retardar ainda mais a luta pela verdadeira emancipação humana
PARADA DO "ORGULHO GAY"
CONTRA A REACIONÁRIA HOMOFOBIA, A "HOMOFOLIA" BURGUESA NÃO É A ALTERNATIVA DE CLASSE!
Neste domingo, 26 de junho, como parte das comemorações do Orgulho Gay em todo o mundo, ocorreu a 15ª Parada do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis) em São Paulo. Apesar da chuva que caia sobre a cidade, foi estimado em quatro milhões o público que acorreu ao megaevento (o maior do mundo!) financiado pela prefeitura paulista comandada pelo fascista Gilberto Kassab e patrocinada pelos governos estadual e federal. Outras cidades também organizaram a Parada, como em Fortaleza onde congregou mais de um milhão de participantes. No entanto, além de massivas, o que chama atenção para os marxistas revolucionários é o caráter eminentemente festivo/alegórico que permeia este evento. Na verdade a parada do "orgulho gay" tem o caráter de um verdadeiro carnaval, voltado ao consumo de um "bem nutrido" nicho do mercado capitalista, destituído de qualquer conteúdo progressista de classe que se enfrente com o regime opressor da "democracia" dos ricos. A começar pelo lema "light" e bem-comportado da Parada: "amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!". O súbito estímulo dado pela grande mídia à "causa gay", produzindo personagens homossexuais com todo um "glamour" em novelas de grande audiência, corresponde a esta mesma necessidade do mercado capitalista em gerar uma nova faixa comercial de um "modo de vida", para potenciar seus negócios abalados com a crise financeira mundial. Neste sentido, um modo de vida homossexual, alienado e exótico, passa a ser "bem aceito" pela decadente classe dominante, mergulhada na cocaína, marcando uma mudança de postura social. Como marxistas revolucionários não fazemos apologia da homossexualidade, nem apontamos qualquer caráter progressista em abstrato no fato de um indivíduo ser hetero ou homossexual, lutamos sim pelo amplo direito democrático da liberdade da opção sexual e combatemos implacavelmente qualquer forma de descriminação sexual, cultural e até mesmo religiosa, apesar de nossa defesa intransigente do materialismo histórico.
Exemplo cabal desta nova "orientação" capitalista, em despolitizar qualquer movimento "gay" é como se define a ONG que organiza a Parada de São Paulo, a Associação Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT): "uma entidade civil, de direito privado, sem fins lucrativos, destituída de natureza partidária ou religiosa" ( http://www.paradasp.org.br). Em outras palavras, montou-se uma verdadeira "empresa" na qual é proibido nas Paradas o direito à livre-expressão de se criticar os governos municipal, estadual e federal, bem como qualquer "patrocinador" ou "anunciante" do evento. O lema da 15ª Parada do Orgulho Gay acima exposto, reflete bem o caráter reacionário do evento e oculta criminosamente a mais cruel realidade por que passam os homossexuais pobres da periferia das cidades do Brasil.
Não por acaso, a "Parada" já supera incrivelmente os ganhos com a Fórmula-1 ou a Indy, na cidade de São Paulo, contando, além do mais, com o suculento aporte de capitais de figuras as mais abjetas da capital paulista como Gilberto Kassab e de obscuras personagens da classe dominante local. Toda uma estrutura de produção de bens e serviços vem sendo montada para o consumo do "público gay", de alto poder aquisitivo, considerado hoje bem mais "possante" que a classe media tradicional e conservadora.
Desta forma, as comemorações pela "diversidade sexual" em todo o país assimiladas plenamente pelo regime capitalista se converteram em uma genuína festa burguesa à semelhança do Carnaval midiático, desprovido de suas raízes culturais. Em razão das direções burguesas o "movimento gay" perdeu o caráter de contestação iniciado em Stonewall. Não há espaço para se criticar politicamente o governo Dilma, por exemplo, e seus acordos podres com a bancada evangélica para não aprovar leis que supostamente favoreçam os homossexuais. No máximo a que chegam lideranças do movimento LGBT, e muito veladamente, é pedir ao Congresso Nacional que seja aprovada a PLC 122, projeto de lei "politicamente correto"(a exemplo da lei Maria da Penha) que criminaliza a homofobia, ora bloqueada pela bancada evangélica.
A burguesia domesticou o movimento GLTB, transformando-o num estereótipo inofensivo voltado ao mercado consumidor e perfeitamente assimilado à ordem capitalista. Aqui fica a lição para os revolucionários: os mesmos que "lucram" com o "mercado Pink" são os que mandam matar os homossexuais proletários. A cultura homofóbica não mais alimentada hoje pela ideologia burguesa "moderna", corresponde a uma etapa da luta de classes onde a profunda decadência moral das elites dominantes passa a flertar com um "homossexualismo pernóstico" pequeno-burguês e carregado de profundo preconceito de classe.
Historicamente a apologia retrógrada da "cultura do homossexualismo" já foi utilizada pela classe dominante para oprimir inclusive as próprias mulheres, como ocorreu na velha Grécia escravagista e homocêntrica. Portanto, o necessário combate de classe contra a homofobia (hoje fundamentalmente concentrada no preconceito aos homossexuais pobres e "marginais?) não pode descambar para uma aliança policlassista com a burguesia que agora patrocina a "causa gay", como escandalosamente vem promovendo a arquirreacionária organização Globo. É necessário manter a independência de classe, como fizemos na época da implantação das "delegacias para mulheres", apoiada pelo conjunto da esquerda reformista como um grande conquista democrática. Sem o menor compromisso de parecer "simpáticos", nós comunistas afirmamos que não há o menor avanço progressista e de classe nestes "eventos gays" ultrabadalados pela mídia capitalista, que servem para retardar ainda mais a luta pela verdadeira emancipação humana.
LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
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