Apoio o referendo sobre a reforma política (leiam post acima), mas não tenho a mesma posição e nem dirijo o mesmo aplauso à aprovação pela Comissão do Senado, ontem, da proposta que determina que 50% das vagas nas eleições proporcionais (deputados e vereadores) sejam destinadas às mulheres, com alternância entre um homem e uma mulher nas listas fechadas de candidatos.
Sou contra este percentual da cota. E sou contra pela própria experiência que já vivemos há várias eleições nas quais a legislação estabelece que 30% das vagas sejam preenchidas por mulheres. Vejam, os partidos nunca conseguiram preencher sequer a cota vigente, tanto que a Justiça Eleitoral flexibilizou a norma dos 30% por conta da dificuldade dos partidos para cumprí-la.
Não sou contra o sistema de cotas em si, apenas acho que devemos nos empenhar para que a cota suba gradualmente, numa progressão contínua, para que o percentual venha a ser preenchido. Vamos 1º tentar atingir os 30% e deixar a elevação desse teto para uma etapa seguinte.
Fim da reeleição: decisão é contra nós
Sou contra, também, a proposta aprovada de fim da reeleição para ocupantes de cargos executivos. Não me convencem do contrário: como já falei antes, a medida foi aprovada porque é a nossa vez. Nós é que estamos no governo federal e que vivemos a etapa que a história nos possibilita reelegermos nossos candidatos.
Fomos contra a reeleição, todos sabem os motivos e como ela terminou implantada no país. Mas, a experiência é recente, tem dado certo e precisa ser mais vivenciada pelo país. O fim da reeleição surgiu, também, para a oposição, congestionada pelo número de candidatos a presidente da República, fazer a sua fila andar.
De qualquer modo, quero deixar claramente registrado aqui que, reparos à parte, a um ou outro da reforma política aprovada pela Comissão do Senado, foi válido o seu trabalho e o saldo é muito positivo.