Rio de Janeiro, 16 de Outubro de 2026

<i>Contos de Hoffmann</i>, ópera de Offenbach, é sucesso em Berna

Domingo, 19 de Outubro de 2008 às 08:18, por: CdB

O Teatro Municipal de Berna, na capital suíça, revive a ópera que Jacques Offenbach, compositor alemão vivendo em Paris no século XIX, não chegou a completar – Os  Contos de Hoffmann.

Dirigida pelo suíço Johannes Erath, reconstitui a conhecida ópera cantada em francês, da qual, muitos desconhecem, faz parte uma das mais cantaroladas obras de Offenbach, a Barcarola, que muitos organistas chegam mesmo a tocar na igreja.

Jacques Offenbach, alemão de Colônia, poderia ser considerado como o Mozart da avenida dos Champs-Elysées tanto suas operetas dominaram a cena parisiense no século XIX. Mas o compositor não se satisfazia com esse sucesso popular, e queria ser também lembrado como um grande da música clássica.

Foi com essa ambição que transpôs para a música os Contos de Hoffmann, cuja publicação póstuma em 1830, em Paris, assinalou, na literatura, o advento do chamado gênero fantástico romântico. Offenbach era um admirador de Ernst Hoffmann, cujo estilo tinha tornado superadas as obras do escocês Walter Scott e exercido uma grande influência sobre a literatura e música romântica do século XIX.

A ópera Os Contos de Hofmann de Offenbach é cantada em francês e se prolonga por cinco atos, sendo uma das óperas francesas mais representadas no mundo. Ela agrupa três personagens femininas, entre elas uma figura revolucionária para a época – uma boneca autômata, Olympia, que dançava e cantava como mulher, mas movida por cordas e mecanismos de relógio, numa antevisão das figuras virtuais de hoje.

Na versão bernesa da ópera, com tradução escrita e simultãnea para o idioma local, visível sobre o palco, há um momento que não escapa aos sorriso dos expectadores, quando um dos cantores anuncia “o banco faliu”, uma repentina atualização da ópera com a atual crise financeira justamente quando existe o temor dos suíços quanto à falência do seu maior banco.

As outras personagens, fora a musa ciumenta e inspiradora de Hoffmann, são Antonia, jovem cantora nostalgica, fraca e doente, proibida de cantar mas que não pode se impedir e morre cantando; e Giuleta, a cortesã, com seus cantos eróticos, interessada em se apossar da vida de Hoffmann ou de sua alma refletida.

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