A demonstração da Contabilidade Pública vai passar por profundas mudanças a partir de agora, com o objetivo de dar transparência às contas do setor, segundo informou nesta segunda-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a meta de superávit primário não muda, mas sim a maneira de demonstrar a contabilidade, com mais destaque para o resultado nominal.
Inicialmente, será criado um amplo grupo de trabalho para fazer as adequações necessárias à padronização das normas contábeis aos padrões internacionais. Na verdade, o objetivo do Ministério da Fazenda dar menos destaque a conceitos como superávit e déficit primários, nominal, operacional etc, que não são adotados na contabilidade de outros países, pois as contas ou são positivas ou são negativas.
São conceitos que, segundo o ministro, foram inventados no país em épocas passadas para esconder a situação das finanças públicas.
– A partir de agora, tudo será mais explicitado. Mas não vamos acabar com o superávit primário – disse, esclarecendo que o que muda é a demonstração contábil.
O ministro também informou que o projeto tem prazo de implantação até 2010 quando o governo espera alcançar déficit nominal zero. As adequações permitirão também melhor acompanhamento do patrimônio da União.
Os conceitos corriqueiros de resultados primários - que é o resultado das contas sem levar em consideração os gastos com os juros - terminaram relegando a segundo plano a divulgação dos resultados nominais (incluem juros), que também são importantes e usados nas divulgações oficiais do Banco Central e do Tesouro Nacional e em parâmetros para a elaboração do orçamento público.
Não é de agora que existe no país um esforço do governo para ajustar as normas contábeis aos padrões internacionais. Em dezembro de 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Lei 11.638/07, que passou a vigorar no início deste ano e altera a Lei das Sociedades por Ações.
Na ocasião a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) manifestou-se através de um comunicado para reafirmar que a nova lei possibilitava a “eliminação de algumas barreiras regulatórias que impediam a inserção total das companhias abertas no processo de convergência contábil internacional, além de aumentar o grau de transparência das demonstrações financeiras em geral”.
Ao decidir seguir o padrão internacional, a contabilidade nacional passa a se adequar às recomendações do Iasb (International Accounting Standards Board), uma entidade do setor privado, independente, criada em 1973 para estudar, preparar e emitir normas de padrões internacionais de contabilidade.
Com sede em Londres, Grã-Bretanha, o Iasb é formado por 140 entidades profissionais mundiais, incluindo do Brasil, e é vinculada ao Comitê de Normas Internacionais de Contabilidade, com sede em Delaware, nos Estados Unidos.
Contabilidade muda, mas superávit primário continua, diz Mantega
Segunda, 25 de Agosto de 2008 às 11:27, por: CdB