A confiança do consumidor na economia do país subiu 0,6% na passagem de dezembro para janeiro. De acordo com o comunicado divulgado nesta terça-feira, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) passou de 112,3 para 113 pontos no período. Na avaliação da FGV, o movimento reflete duas situações distintas: “a melhora da avaliação relativa à situação atual e a diminuição do otimismo para os próximos meses”.
Em relação à situação atual, a confiança subiu 3,2%, alcançando 124,8 pontos. Trata-se do maior patamar desde o início da série histórica do levantamento, em 2005. Já a expectativa para os próximos meses revela que o grau de otimismo caiu 1,0%, passando de 107,7 para 106,6 pontos, o menor nível desde maio de 2009. A maior contribuição para a elevação do índice partiu do quesito que mede a satisfação com a situação financeira da família. O indicador subiu de 17,5% para 20,4%. Por outro lado, a proporção dos que a consideram ruim caiu de 13,2% para 12,2%.
A expectativa para a evolução da situação econômica local nos próximos seis meses ficou menos favorável em janeiro. A pesquisa mostra que a proporção de consumidores que acreditam na melhoria do cenário econômico passou de 26,2% para 23,9% e a parcela dos que projetam piora aumentou de 9,1% para 10,0%.
A pesquisa foi feita em mais de 2 mil domicílios em sete capitais brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre) entre os dias 4 e 21 de janeiro. O índice tem uma escala que vai de 0 a 200 pontos. Quanto mais próximo de 200, maior a confiança do consumidor.
Empresários idem
O otimismo do empresariado brasileiro também continua crescente e atingiu em janeiro 68,7 pontos,o maior índice já registrado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Divulgado nesta terça-feira pela instituição, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) foi o maior desde 1999, quando começou a pesquisa, 10 pontos percentuais acima da média histórica, que é de 58,4 pontos.
Segundo o gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, esse otimismo se deve principalmente à retomada da atividade econômica iniciada no final do ano passado, o que teria trazido “novo fôlego” à economia.
– Entramos em um ciclo econômico bastante favorável e 2010, para as empresas, será um ano muito positivo. Nossa expectativa é de que o setor industrial lidere o crescimento deste ano – disse.
Ele explicou que janeiro sempre foi um período de otimismo em função do ano que se inicia. No entanto, lembrou, isso não ocorreu em janeiro de 2009, quando a confiança das empresas estava em 47,4 pontos devido à crise que já se instalara principalmente nos setores exportadores da indústria.
– Ao alcançar 68,7 pontos em janeiro, o Icei registrou uma alta de 2,8 pontos na comparação com outubro do ano passado, e de 21,3 pontos se comparado a janeiro de 2009. Sem a menor dúvida é um aumento considerável, que mostra o quanto os empresários estão otimistas – disse o economista.
Em janeiro do ano passado, a confiança dos empresários especificamente em relação à economia era de 28,1 pontos. Em um ano, subiu para 65,4 pontos. A confiança na empresa estava em 40 pontos, e subiu a 61,3 pontos, valor registrado em janeiro de 2010. Para Castelo Branco, “é um descolamento muito grande”.
A CNI também constatou aumento na expectativa, tanto com a economia do país – que em janeiro de 2009 estava em 46,3 pontos e subiu para 69,5 pontos em janeiro de 2010 – quanto com a própria empresa, que no mesmo período passou de 56,6 pontos para 72,9.